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Breves considerações sobre a 1ª e 2ª leitura 11º domingo do tempo comum

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17.06.2026 | 3 minutos de leitura
Pe. Francisco Cornélio F. Rodrigues
Para celebrar
Breves considerações sobre a 1ª e 2ª leitura 11º domingo do tempo comum
Tirada do livro do Êxodo, a primeira leitura faz parte de uma seção conhecida como “prólogo da aliança” (Ex 19,1-8), e constitui uma das passagens mais relevantes para a história de Israel e a teologia do Antigo Testamento. 

Sob a liderança de Moisés, o povo de Israel, recém-libertado da escravidão do Egito, tinha acampado no deserto, ao redor do monte Sinai (v. 2). Na condição de mediador, Moisés sobe à montanha para encontrar-se com Deus e ouvir suas instruções para o povo (v. 3). Isso demonstra o quanto Deus é acessível: ele se deixa encontrar e estabelece comunicação, revelando-se próximo da humanidade. E a primeira coisa que Deus ordena que Moisés comunique ao povo é a memória da libertação (v. 4). Ora, com seu amor e poder, representados pelo símbolo da águia, Deus tirou os israelitas da escravidão do Egito, mostrando que age concretamente na história em favor do seu povo. 

Portanto, a memória do êxodo deveria motivar Israel a guardar a aliança como resposta ao privilégio da eleição (v. 5). Por sinal, esse privilégio comporta também uma missão e responsabilidade para Israel (v. 6): o povo eleito, constituído “reino de sacerdotes e nação santa”, deveria ser sinal da santidade de Deus no mundo, testemunhando com a vida os propósitos de um Deus que ama e, por isso, liberta, se faz próximo de todos e não tolera nenhuma forma de injustiça.

II – Rm 5,6-11

A segunda leitura continua sendo tirada da Carta aos Romanos, a mais longa de todas as cartas de Paulo, e também considerada a mais profunda, teologicamente. O trecho lido neste dia é um verdadeiro alento à esperança, pois ressalta a gratuidade do amor de Deus que justifica a todos, indistintamente. Por sinal, a justificação é o tema central desta carta. 

Na perspectiva de Paulo, o amor de Deus é tão grande que não pode ser comparado com nenhuma experiência humana de amor. Ora, é próprio do ser humano amar numa perspectiva retributiva, observando os méritos do outro e a possibilidade de ser retribuído (v. 7). Deus, no entanto, ama imensamente e de modo gratuito, indistinto e desinteressado; a maior prova disso é a doação total do seu Filho, Jesus Cristo (vv. 6.8), morto por todos os pecadores. 

Da gratuidade do amor de Deus, portanto, vem a nossa reconciliação com ele e, consequentemente, a certeza da salvação (v. 9.10). Por isso, devemos viver cheios de esperança e podemos nos gloriar em Deus, porque, sem mérito algum, fomos reconciliados com ele, graças ao seu amor desinteressado e gratuito, derramado abundantemente sobre toda a humanidade, por meio de seu Filho, Jesus Cristo, morto e ressuscitado. Nisso consiste a plenitude do amor de Deus. 
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