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BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE A 1ª E A 2ª LEITURAS DA SOLENIDADE DOS APÓSTOLOS SÃO PEDRO E SÃO PAULO

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29.06.2026 | 4 minutos de leitura
Pe. Francisco Cornélio F. Rodrigues
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BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE A 1ª E A 2ª LEITURAS DA SOLENIDADE DOS APÓSTOLOS SÃO PEDRO E SÃO PAULO
At 12,1-11
Tirada de Atos dos Apóstolos, a primeira leitura de hoje é uma das passagens mais ricas e cheias de vivacidade de todo o livro. É o último episódio deste livro que tem Pedro como protagonista, pois a partir do capítulo seguinte (c. 13), o protagonismo do relato é assumido por Paulo. Obviamente, estamos falando do protagonismo humano, que é secundário, pois os verdadeiros protagonistas do livro são o Espírito Santo e a própria Palavra de Deus, de quem Pedro e Paulo são apenas instrumentos. 
O texto reflete um momento delicado na vida da Igreja primitiva: a perseguição promovida pelo rei Herodes, com prisões, torturas e até a morte de um dos apóstolos: Tiago (v. 1-2). Com isso, o autor vai mostrando que a vida dos discípulos vai se configurando cada vez mais à vida do próprio Jesus, na condição de vítimas de perseguição pelos detentores de poder (vv. 3-4). Inclusive, a prisão de Pedro nos “dias dos Pães ázimos”, ou seja, no tempo da Páscoa, é a principal demonstração de que o autor quer mostrar uma correspondência entre o destino dos discípulos e o de Jesus. 
Um dos aspectos mais interessantes que a leitura retrata é a oração da Igreja como fonte de libertação para Pedro (v. 5). Isso tanto ressalta a importância dele para a comunidade de Jerusalém quanto a confiança da Igreja no Senhor.  Lucas – o autor do livro – apresenta a oração como uma prática constante da Igreja, em continuidade com o que ele diz de Jesus em seu Evangelho. Com isso, ele quer dizer que a vida da Igreja reflete a vida de Jesus, e isso é prova de fidelidade. 
O milagre da libertação de Pedro é descrito (vv. 6-11) com uso de diversas imagens, que visam ressaltar que Deus é o verdadeiro protagonista e Senhor da história, propondo três ensinamentos fundamentais para a vida da comunidade. O primeiro é a eficácia da oração comunitária; o segundo é a proteção de Deus sobre as pessoas escolhidas para o seu serviço; e o terceiro é a certeza de que nenhuma força ou poder humano é capaz impedir a realização do projeto libertador de Deus. A expressão “anjo do Senhor” (vv. 7.11) significa o próprio Deus; é ele quem liberta o ser humano de todo o mal, pois é dele que vem a salvação.

2Tm 4,6-8.17-18
A Segunda Carta a Timóteo, da qual é tirada a segunda leitura de hoje, é considerada uma espécie de testamento espiritual de Paulo, embora a maioria dos estudiosos considere que o autor real do escrito não foi o apóstolo, mas algum discípulo muito próximo, que conhecia seus sentimentos e pensamentos. Contudo, independente de quem seja o verdadeiro autor, o importante é que nela ouvimos a voz de Paulo e o batido do seu coração. 
A Carta retrata a fase final da vida do apóstolo, quando ele já se encontrava na prisão, e revela a consciência tranquila de quem dedicou a vida ao Evangelho de Jesus Cristo (v. 6). Com muita serenidade, empregando linguagem simbólica, ele relata a sua apaixonante experiência de vida cristã. Sua tranquilidade de consciência provém da convicção de ter guardado a fé (v. 7). Com isso, ele quer dizer que anunciou o Evangelho de modo integral e pleno, sem nenhuma distorção (v. 17); foi plenamente fiel ao Senhor. 
Para expressar seu zelo e sua fé, ele recorre à linguagem do culto (v. 6), o que significa a consciência do martírio que se aproximava e a certeza de ter feito da vida um culto agradável a Deus. Também recorre a imagens do mundo militar e esportivo: “combati o bom combate, completei a corrida” (v. 7). 
Enfim, a vida de Paulo foi uma aventura de amor na qual ele fez tudo o que foi possível para o Evangelho ser anunciado. Para isso, ele contou com a proteção do Senhor em todos os momentos da sua vida. A conclusão da leitura expressa a confiança que marcou toda a sua vida, por isso, termina com um hino de louvor a Deus (v. 18), como deve ser a vida de todos os cristãos.
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