Barnabé: O fiador de Paulo na Igreja nascente
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15.06.2026 | 3 minutos de leitura
Diversos

Neste dia em que a Igreja celebra a Festa de São Barnabé, reconhecendo-o como verdadeiro apóstolo, apesar de não ter composto o “grupo dos doze”, convém recordar alguns pequenos detalhes que demonstram a grandeza deste personagem.
As primeiras informações sobre ele no Novo Testamento, considerando a ordem canônica dos livros, aparecem em At 4,36-37. Nessa passagem, são revelados alguns dados biográficos básicos, como o nome e o lugar de origem, informações que poderiam servir até como atestado de idoneidade na antiguidade. Lembremos que uma das razões para Jesus ser desacreditado entre certas castas da época foi justamente o fato de ser natural de Nazaré, um lugar sem prestígio, de onde não deveria sair “coisa boa” (cf. Jo 1,46). Portanto, quando, na Bíblia, se diz o nome de uma pessoa e seu lugar de origem revela-se a sua identidade.
Este personagem chamava-se José, um nome prestigioso para a cultura bíblica, da mesma raiz consonantal de Josué e de Jesus – Js. Seu lugar de origem era a ilha de Chipre, o que não pesava positiva nem negativamente. Ele recebeu o apelido de Barnabé, que significa literalmente “filho da profecia”, pelos apóstolos, o que revela proximidade com eles. Enfim, Barnabé era um judeu da diáspora que rapidamente aderiu ao movimento de Jesus, tornando-se o primeiro exemplo concreto de quem viveu profundamente o ideal cristão da partilha: “Ele tinha um campo, vendeu-o, trouxe o dinheiro e o depositou aos pés dos apóstolos” (At 4,37). Até então, o autor de Atos tinha apresentado essas atitudes como um ideal, sem mostrar um exemplo concreto de quem tinha feito tal experiência. Com Barnabé, o ideal se torna realidade.
A maior colaboração de Barnabé, no entanto, para a Igreja nascente, não foi sua generosidade caritativa, mas sua coragem de ser o “fiador” de Paulo. Ora, devido ao seu histórico de perseguidor, Saulo (Paulo) teve muita dificuldade de ser aceito pelos apóstolos, afinal ele “respirava ameaça” contra a Igreja (cf. At 9,1). Foi Barnabé, portanto, quem o apresentou aos apóstolos (cf. 9,27). Isso revela a credibilidade deste homem, descrito pelo autor de Atos como um “homem bom e cheio do Espírito Santo” (At 11,24). O Novo Testamento é muito econômico na aplicação do adjetivo “bom” (em grego: ἀγαθός – agathós) a pessoas, pois a bondade é uma característica essencialmente de Deus.
Se Paulo não tivesse sido apresentado aos apóstolos por um homem bom, dificilmente teria sido aceito. Diante disso, se pode dizer que a contribuição de Barnabé para a Igreja nascente foi inestimável. Sem dúvidas, fez um trabalho de bastidores, talvez muitas vezes, tenha sido o principal responsável por conter os ânimos “vulcânicos” de Paulo. Sem Barnabé, portanto, dificilmente a Igreja tivesse conhecido Paulo.
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