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BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE AS LEITURAS DO 12º DOMINGO DO TEMPO COMUM (Ano A)

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22.06.2026 | 4 minutos de leitura
Pe. Francisco Cornélio F. Rodrigues
Evangelho Dominical
BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE AS LEITURAS DO 12º DOMINGO DO TEMPO COMUM (Ano A)
1ª LEITURA: Jr 20,10-13
A primeira leitura é tirada do livro do profeta Jeremias, o qual recebeu o chamado de Deus quando ainda era muito novo (Jr 1,4-10), e teve um dos ministérios proféticos mais longos de toda a história de Israel, com duração de aproximadamente cinquenta anos. Isso lhe permitiu acompanhar diversos acontecimentos, desde a reforma religiosa do rei Josias até a queda de Jerusalém – ano 587 a.C. –, com a destruição do templo e a deportação de parte da população de Judá para o exílio na Babilônia. Sua época foi marcada por muita instabilidade e agitação, tanto no campo religioso quanto no político, o que acabou repercutindo na sua vida e pregação, rendendo, inclusive, perseguição. 
Tudo isso pode ser constatado em seu livro, que é marcado por seções autobiográficas, chamadas de “confissões”, nas quais o profeta expressa suas angústias e dores, ao mesmo tempo em que reforça sua confiança em Deus (cf. Jr 11,18–12,6; 15,10-21; 17,14-18; 18,18-23; 20,7-18). O trecho lido hoje é tirado da quinta confissão, que reflete uma perseguição sofrida pelo profeta, como consequência de uma pregação crítica que ele tinha feito no templo (20,14-15). Um sacerdote, chamado Fassur, tinha escutado essa pregação e, por isso, mandou espancá-lo e prendê-lo, imediatamente (20,1ss). Essa foi a primeira violência física que o profeta sofreu por causa da sua pregação. 
A leitura começa com o profeta descrevendo seu drama existencial (v. 10): havia um verdadeiro complô contra ele; por onde passava, era alvo de denúncias e escárnio. Como se não bastasse a oposição dos seus adversários, até mesmo os seus amigos passaram a vigiá-lo, procurando qualquer motivo para criticá-lo e armar ciladas contra ele. Nesse sentido, Jeremias desabafa por sentir-se abandonado por todos, inclusive pelos amigos, mas interpreta a situação como uma oportunidade para renovar a confiança no Senhor (v. 11), acreditando que o bem vencerá o mal, os inimigos serão derrotadas e ficarão todos envergonhados. O pedido de vingança (v. 12), aqui, não pode ser interpretado literalmente. O que o profeta deseja é que a justiça seja feita e o mal eliminado; ele não deseja a morte do inimigo, mas a conversão. Jeremias confiava tanto em Deus, que finaliza seu desabafo com um hino de louvor, cantando antecipadamente a sua própria libertação (v. 13). Essa demonstração de confiança faz dele um profeta ainda mais exemplar

SALMO
O Salmo 68, classificado do ponto de vista literário como um salmo de lamentação, praticamente repete a experiência vivenciada pelo profeta Jeremias. A perseguição é inevitável na vida de quem permanece fiel a Deus. Ao invés de gerar desânimo, isso faz aumentar a confiança, “pois nosso Deus atende à prece dos seus pobres” (v. 34). Neste salmo, a categoria “pobres” não significa uma classificação social, mas se refere a todas as pessoas que depositam toda a confiança em Deus, custe o que custar. E Deus não abandona àqueles que confiam e esperam nele. 

2ª LEITURA: Rm 5,12-15
Na segunda leitura, continuamos lendo a Carta de Paulo aos Romanos. Muitos exegetas consideram o trecho empregado na liturgia de hoje como um dos mais difíceis de toda a Carta. Nessa passagem, Paulo emprega um dos seus recursos retóricos favoritos: a antítese, para contrapor as figuras de Adão e Cristo, com a finalidade de evidenciar a superioridade de Cristo e a superabundância da graça de Deus derramada por meio dele (v. 15), cujos resultados são muito superiores às consequências do pecado de Adão (v. 12). 
Na verdade, a graça de Deus e o pecado da humanidade, simbolizado por Adão, são incomparáveis; Paulo compara apenas retoricamente, com uma finalidade pedagógica bem precisa (v. 14). Com isso, ele põe em jogo também a contraposição entre a Lei e a graça (v. 13), para falar da justificação pela fé em Jesus Cristo, que é o tema principal da Carta. Ora, a Lei não é capaz de eliminar o pecado, mas apenas de identificá-lo; por isso, ela não justifica. Somente a graça de Deus manifestada em Jesus é capaz de justificar, pois ele venceu a maior consequência do pecado: a morte. Enfim, a força de Cristo é superior ao mal, e esta certeza é sinal de grande esperança para o mundo, sobretudo para os cristãos.

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