Comentários às leituras da Solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria
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17.08.2026 | 5 minutos de leitura
Para celebrar

1ª Leitura: Ap 11,19a; 12,1-6a.10ab;
2ª Leitura: 1 Cor 15,20-26
1. INTRODUÇÃO
Neste domingo, a Igreja no Brasil celebra a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora em corpo e alma ao céu, cujo dogma foi solenemente proclamado em 1º de novembro de 1950, pelo Papa Pio XII, embora a festa preceda o dogma em muitos séculos. Inicialmente, era celebrada com o nome de “dormição de Nossa Senhora”, título que as igrejas do Oriente preservam até hoje.
O sentido desta festa e do próprio dogma é fornecido pelo prefácio da missa: “Hoje, a virgem Maria, mãe de Deus, foi elevada à glória do céu. Aurora e esplendor da Igreja triunfante, ela é consolo e esperança para o povo ainda em caminho, pois preservastes da corrupção da morte aquela que gerou de modo inefável, vosso próprio Filho feito homem, autor da vida” (Prefácio da Assunção de Nossa Senhora). Trata-se de uma festa que imprime muita esperança à Igreja e à humanidade inteira, pois expressa o cumprimento do amor de Deus pelo ser humano, levando-o ao seu verdadeiro destino, que é a participação na mesma glória de Jesus Cristo, seu Filho e nosso irmão. E Maria foi a primeira a gozar plenamente deste privilégio.
Na vivência do mês das vocações, recordamos neste dia a vocação à vida consagrada e religiosa, nas mais diferentes expressões. Agradecemos a Deus por todos os religiosos e religiosas que, vivendo seu carisma, se dedicam ao serviço do Reino no Brasil e no mundo inteiro.
2. COMENTÁRIO
Como sempre, a primeira leitura desta festa é tirada do Apocalipse de São João, o último livro do Novo Testamento, escrito já nos últimos anos do primeiro séc. I, com o objetivo de animar comunidades cristãs da Ásia Menor, que na época sofriam com as perseguições do imperador romano Domiciano. O autor foi um profeta cristão, discípulo do apóstolo João, cujo nome adotou, mediante o fenômeno literário da pseudonímia, a fim de conferir autoridade à obra. Fazendo uso intenso de imagens e símbolos, como é típico do gênero literário apocalíptico, ele quis transmitir aos seus leitores esperança e confiança no Senhor como artífice e condutor da história, não obstante as hostilidades sofridas. Por isso, o Apocalipse é um livro de resistência, escrito também para desmascarar o poder opressor e afirmar que é Deus quem tem a palavra final sobre a história.
O trecho lido na liturgia de hoje começa com a visão da arca da Aliança (11,19a), em seguida apresenta a luta entre a mulher e o dragão, representando as forças do bem e do mal, respectivamente (12,1-6a). É uma luta desigual entre uma criatura frágil e um monstro terrível. A mulher é imagem da Igreja, a comunidade cristã, aparentemente indefesa e frágil; o dragão é a imagem do poder opressor, na época, o império romano com toda a sua força militar e, ao longo da história, é símbolo de toda força que se opõe à instauração do Reino de Deus na terra. Apesar da aparência frágil, a mulher é revestida por Deus com os elementos mais esplendorosos da criação – sol, estrelas, lua e terra –, que lhe dão beleza e proteção (12,1); dela nasce um filho com poder para governar o mundo, que “foi levado para junto de Deus e do seu trono” (12,5): é Jesus Ressuscitado que, mesmo estando nos céus junto de Deus, está igualmente presente no cotidiano das comunidades cristãs.
A resistência da mulher ao dragão mostra que Deus protege e fortalece os pequeninos e marginalizados da história (12,6). Maria, a mãe de Jesus, é personificação e prova das escolhas de Deus pelo que é simples e humilde, mas capaz de confundir e vencer os grandes e poderosos. Por isso, muito cedo os cristãos associaram essa mulher a Maria, geradora de Jesus, o Filho de Deus.
A segunda leitura é tirada da Primeira Carta aos Coríntios. No capítulo quinze desta Carta, Paulo discorre exclusivamente sobre a ressurreição dos mortos, um dos temas principais de toda a sua pregação. E ele sustenta sua reflexão a partir da ressurreição de Jesus Cristo, que é a razão da fé e o fundamento do anúncio cristão (1Cor 15,13-14). Percebe-se o tom apologético com o qual ele trata o tema, pois a ressurreição dos mortos constituía o elemento mais delicado da sua pregação, sobretudo em ambientes de cultura grega, como era a cidade de Corinto. Inclusive, naquela comunidade havia membros que duvidavam da ressurreição e, por isso, rejeitavam a sua pregação (15,12).
No trecho lido hoje, Paulo apresenta a ressurreição de Cristo como primícias de todos os que morreram (v. 20). E faz isso comparando-a aos efeitos negativos do pecado de Adão, que gerou a morte no mundo (v. 21). Ora, se a obra de Adão trouxe a morte para todos, pela obra de Jesus todos terão acesso à vida em plenitude (v. 22). Mas isso se dá segundo uma ordem determinada pelo vínculo de pertença a Cristo (v. 23). Por isso, é precisamente aqui onde se reconhece o privilégio de Maria: ela foi a primeira a pertencer a Cristo, como mãe e discípula, por isso é a primeira a receber o destino glorioso alcançado pela sua ressurreição.
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