466. clareira
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24.09.2025 | 1 minutos de leitura
Poesia

não.
não há mais um lugar à espera
de tua ausência.
à clareira não levarei outrem,
e não será para honrar
teu desaparecimento.
não será para dar-te, sempre,
esse lugar
que não preencho.
já não celebro mais teu silêncio,
não conheço mais tua voz,
teu timbre.
não entrarás mais
pelos sagrados recantos
do caminho da floresta.
este espaço é de ninguém.
dou-o à ausência
de tudo e de todos,
mesmo de mim.
essa clareira é o lugar
para o vazio
— que já não me devora.
-
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