Evangelho DominicalVersículos Bíblicos
 
 
 
 
 

Poesia

Ler do Início
16.04.2026 | 1 minutos de leitura
Diego Lelis Cmf
Poesia
Poesia
Hoje não queria escrever.
Queria o silêncio. Queria o esquecimento.
Mas as palavras não me deixam.
Elas me acordam antes da hora,
me chamam pelo nome,
Com a urgência de quem não pode esperar. 

Não me deixam repousar,
porque sabem que nelas carrego dores que não são só minhas.
Sabem que meu cansaço é também o cansaço do mundo, e o cansaço do mundo é também o meu,
e ainda assim me pedem:
fala por nós.

É estranho:
há dias em que tudo em mim queria desistir,
mas a linguagem insiste em reexistir.
Ela se agarra em mim como se fosse corpo,
como se minha pele fosse papel,
e minha voz, trincheira.

As palavras sabem que não sou poeta de estética,
sou verbo de urgência.
E por isso me tomam:
quando a esperança falta em tantos,
elas exigem que eu me erga —
não porque sou mais forte,
mas porque carrego em mim a semente do verbo eterno que anuncia ao mundo a esperança.

Elas precisam de mim,
e, no fundo, eu também preciso delas.
Elas são o modo como ainda acredito.
A forma como ainda amo.
A maneira como respiro
quando o mundo parece querer me sufocar.

Então, escrevo.
Mesmo cansado.
Mesmo em pedaços.
Porque sei que palavra viva é coisa sagrada.
E se uma só delas tocar alguém,
já não foi em vão.
PUBLICIDADE
  •  
  •  
  •  
  •  
  •