465. A passagem do semeador
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17.09.2025 | 2 minutos de leitura

Poesia

Eu estava lá, à beira da estrada,
quando Ele passou a lançar as sementes...
Eu vi a alegria dos pássaros
que se fartaram com tão bom alimento
e que voaram e cantaram,
colorindo o tempo com sua magia.
Eu vi brotar a semente
que caíra entre as pedras e a poeira.
O sol forte reluzia e queimava,
mas a semente, forte e corajosa,
impetuosa germinou.
E esperou vir o cultivador
para abrir um sulco e dar espaço
para florir e frutificar.
E foram dias e noites,
sol e brisa, poeira e orvalho,
até se extinguir, entre a dureza das pedras,
na última gota da vida.
Eu vi germinar a semente
que caíra entre os espinhos,
forte, vibrante, rompendo barreiras.
E vi os espinhos tentando esquivar-se
para não as ferir e nem as sufocar,
à espera de alguém que viesse cuidar
desse jardim a germinar.
E vi se passarem os dias
e as noites,
sol e luar, ventania e poeira,
e, desidratada, a semente a murchar, resiliente
até sua última força e seu último suspiro.
Eu vi nascer a semente
que caíra em terra boa.
Germinou altiva, forte e aos poucos foi florindo.
Era pequena, feito grão de areia
e foi crescendo qual fermento na massa,
dando sabor feito o sal dos mares
e iluminou o tempo feito a lâmpada no candeeiro.
E ela foi dando frutos e se multiplicando:
trinta, sessenta e cem,
num sem fim de dons e graça
sacramentando a vida.
Eu estava lá.
Um pouco de mim era pássaro voando, buscando sementes.
Outra parte era espinho, sem flores nem doces frutos, pontiagudo e cortante.
Um tanto de mim era pedra, rocha dura, pedregulho,
parada e estagnada a contemplar a vida
Outra parte era terra boa, fértil e benfazeja,
que germina e que dá fruto,
alimenta e que abriga,
acolhe e que se doa.
Trinta, sessenta ou cem
sem cálculos e sem medidas...
Eu estava lá
e vi o semeador passar,
lançando suas sementes,
sorridente, passos firmes
Acho que cantarolava ou, talvez, assobiava.
Ele plantava vida!
-
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