458. Falésia
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23.07.2025 | 1 minutos de leitura
Poesia

O mar escreveu na rocha seu texto;
e nosso corpo é uma falésia,
uma erosão feita de pedras e sal,
o entalhe do esfacelamento e da perda.
Nas nossas rochas o esculpimento
do mar infinito e seus impossíveis,
das mães e suas mãos,
da morte e seus fins.
O monumento do fim
em processo,
erguido à beira das águas infinitas.
Cinzelamos nosso nome,
imitando o mar,
tentando amar,
banhados pela memória
do que foi uma vez esquecido,
essa mistura de rocha e oceano.
O nome esquecido da infância
é o torso que o mar
não pode fazer
sem nós.
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