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386. Reconcilia-te contigo

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10.04.2024 | 1 minutos de leitura
Pe. Eduardo César Rodrigues Calil
Poesia
386. Reconcilia-te contigo
Supera a discórdia com a alteridade que há em ti. Abre teu coração ao amor e a ser amado. 
Deixa que te achegue de ti o amor de Deus. E ama também.
Sê um jardim: não corre atrás das borboletas (1). Deixa a vida trazê-las. Com o passado, sê grato, ama, perdoa. Mas segue em frente tendo tirado as melhores lições, as necessárias para ser mais e mais quem tu és. Começa o novo, o mundo novo, o que não sabes (2). 
E sê pássaro (3): se os galhos balançarem, levanta voo. Ninguém serás tu, tu não serás ninguém; essa é a solidão (4). Ninguém atenderá as expectativas nem tu deverás ou poderás atender todas; essa é a outridade. Ama, ainda que com as mãos vazias. Ama sem querer dominar, acompanha sem invadir; essa é a diferença e o respeito. 
O que caiu, caiu. Nem tudo deve ser recuperado. Relança, porém a vida, de outros lugares. Goza em outros lugares. Afrouxa a fantasia, afrouxa o ideal, e permita que a vida seja. 
Deus não te deu destinos, apenas o horizonte do amor. Terás de escolher; essa é a liberdade e o desamparo. Não estarás curado de desejar; essa é a falta. Poderás te curar de não quereres mais o desejo, ou tua humanidade; essa é a salvação.
Quem conhece o fundo do poço, deve deixar a pequena morte, o medo (5), para trás. Abrir um buraco no túmulo do medo e da morte em vida; buraco-texto.  Escrever a vida, até que a escrita seja carne, e a carne ressuscitada possa sair do túmulo. Toda palavra-dura, a pedra no lugar da palavra-carne, morrerá assim, para que haja passagem, Páscoa. E, então, a fonte da vida, a brotar de nós (6). 
Feliz Páscoa! 

Referências indiretas 
(1)- Mário Quintana 
(2)- Maria Gabriela Llansol 
(3)-Victor Hugo 
(4)- Clarice Lispector 
(5)- Valter Hugo Mãe 
(6)- Jo 4, 10. 14