212. Piano
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17.08.2021 | 1 minutos de leitura
Poesia

escuto algumas notas de piano,
enquanto o arrebol ainda não vem
e o sol beija minha pele branca.
o piano transporta o silêncio,
natureza de todo som.
não sou dado a essências,
mas o compasso, o ritmo, as notas,
leio-as como se lê o envelope de uma carta,
sem endereçamento.
dentro há sempre o silêncio.
mesmo estas letras,
e sua precedência na língua que falo,
grafadas nesse corpo de peles brancas,
são nada, um nada a dizer.
porque há sempre o silêncio,
e o bronze de seus raios.
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