208. Amor nupcial
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13.10.2025 | 4 minutos de leitura
Diversos

O profeta Oséias, desenvolve com beleza a teologia do amor esponsal de Deus. Afirma: “Acontecerá naquele dia, diz o Senhor, que tu me chamarás: ‘meu esposo’” (Os 2,18). Ou “Desposar-te-ei comigo para sempre, desposar-te-ei na justiça e no direito, no amor e na misericórdia” (Os 2, 21). É assim que o profeta Oseias anuncia o grande desejo de Deus: tomar seu povo como esposa. Não parece curioso, portanto, que o primeiro sinal de Jesus seja realizado justamente numa festa de casamento? Sem sabermos nada sobre o noivo, sem sabermos nada sobre a noiva, não estaríamos diante da realização dessa profecia: Jesus, o noivo da humanidade, realizando a grande festa de casamento – que é a nossa salvação? E o povo, antes a não-amada, poderá ouvir: “Tu és minha amada. Tu és o meu povo”?, como em Os 2,25. Ao tomar seu povo como sua noiva, Jesus realiza uma nova e definitiva aliança.
É esse o grande sinal de Jesus nesta festa: não é agradar o gosto etílico de alguns convivas, quando falta vinho, mas mostrar-se o verdadeiro vinho, que é símbolo da alegria, do amor e da fidelidade. Lembremo-nos que a vinha que o Senhor plantou numa encosta fértil, lavrou e limpou de pedras, não produziu uvas boas, mas deu uvas selvagens, conforme o profeta Isaías (Is 5, 1-7). Esse é o retrato de um povo infértil. Mas Jesus, esse sim, produz o vinho bom, mais saboroso que todos os vinhos. Esse é seu primeiro sinal, e sinal não é um milagre, mas aquilo que aponta para sua hora e já revela o que ele, de fato, é. Ao responder para sua mãe “que sua hora não chegou”, Jesus não estaria resistindo a fazer milagres nem tampouco estaria sendo grosseiro. Está apontando para aquela hora definitiva, em que seria fiel até o fim, em que daria o fruto do amor definitivo: sua vida entregue livremente na cruz, que simboliza as núpcias definitiva de Deus com a humanidade. Por isso estamos falando de algo mais radical: Jesus é noivo, mas também o vinho novo!
Essa videira infecunda que o povo se tornou é retratada ao mostrar as seis talhas de pedra vazias. Seis é número do que é imperfeito e incompleto. As pedras são referência clara à lei escrita em pedras e a água é símbolo claro da própria lei. As talhas são usadas para a purificação judaica, diz o Evangelho, e para não ter erro: está aí um símbolo da lei mosaica e suas prescrições externas. Mas a lei não enche o coração. Os ritos parecem estar igualmente vazios de sentido, como aquelas talhas vazias. As prescrições legais parecem ser tão duras quanto as pedras, e a religião parece ter se tornado vazia e esvaziadora, sem sabor como a água. Ao transformar água em vinho, então, Jesus está superando a Lei; substituindo-a radicalmente: onde estão os ritos vazios, ele quer a graça e o amor; onde as normas e o dever esmagador, ele quer uma nova aliança, feita de alegria, de esponsalidade, como numa festa de casamento. A Lei passou, e o que Jesus oferece é o vinho bom guardado até agora. Esse agora, é o agora do Cristo – esse que precisamos redescobrir sempre.
Na figura da mãe está contida toda a esperança de um povo. A esperança de um povo que sabe que o vinho da alegria acabou, mas parece depositar uma nova confiança em Jesus. Os discípulos verdadeiros de Jesus são aqueles que escutam o que a mãe diz: “fazei tudo o que Jesus disser”. São aqueles que enchem as talhas até a boca, ou seja: servem, sem medidas, porque desmedido é o amor de Deus pela humanidade que ele desposa em Cristo. Esse serviço sem medidas é sinalizado agora, e se realizará definitivamente quando Jesus mesmo lavar os pés dos discípulos, gesto que inicia a consumação de sua entrega. Aqui, a hora ainda não chegou”; lá, terá chegado. Compreenderemos, então, o que agora antevemos: “tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1).
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