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233. Feminicídio e violência: A urgência de proteger as mulheres

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26.02.2026 | 4 minutos de leitura
Ir. Patrícia Silva, fsp
Diversos
233. Feminicídio e violência: A urgência de proteger as mulheres
Apesar da grande evolução científica e tecnológica, a humanidade ainda caminha a passos lentos nas questões de paz, de respeito e cuidado

A religião, a educação e a família, três instituições básicas de humanização, são ainda impotentes diante da natureza violenta da humanidade. As mulheres são as maiores vítimas.

Dados que assustam
O Instituto de Pesquisa DataSenado revela que 3,7 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência doméstica ou familiar em 2025 (Agência Senado | 24/11/2025).
Apesar da redução dos índices de violência em relação a 2023, os resultados acendem um alerta: a maioria das agressões ocorreu na presença de outras pessoas. Entre as vítimas de violência no último ano, 71% afirmaram que havia crianças presentes durante a agressão, sendo que parcela significativa eram filhos e filhas das vítimas.
A pesquisa mostra ainda que a violência costuma ser recorrente. Quase 6 em cada 10 mulheres relatam que as agressões ocorrem há menos de seis meses, enquanto 21% afirmam conviver com episódios há mais de um ano.
O crime de feminicídio é tipificado pela Lei 13.104/2015, como crime hediondo.

Mobilização nacional contra o feminicídio
A organização Levante Mulheres Vivas organizou, no dia 07 de dezembro de 2025, uma mobilização nacional contra o feminicídio no Brasil. Ao todo, 24 estados e o Distrito Federal aderiram ao movimento. O evento reuniu mais de nove mil pessoas na Avenida Paulista, em São Paulo (https://www.instagram.com/levantemulheresvivas/).

Tipos de violência
Uma mulher, no Evangelho, é acusada de adultério e querem apedrejá-la (Jo 8,1-11). Jesus questiona os acusadores que, silenciosamente, se declararam hipócritas, ao se afastarem ao serem convidados a atirar a primeira pedra quem estivesse sem pecado. Em todos os tempos, a hipocrisia causa injustiças, que ganham diferentes definições.
No Brasil, o machismo estruturante da sociedade é a causa mais visível da violência contra a mulher.
A lei brasileira descreve cinco tipos de violência contra a mulher: física, psicológica, sexual, patrimonial e moral.

Violência física
Trata-se de qualquer conduta que ofenda a integridade ou saúde corporal.

Violência psicológica
Qualquer conduta que cause dano emocional e diminuição da autoestima, que prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz.

Violência sexual
Qualquer conduta que constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força.

Violência patrimonial
Configura a retenção, subtração, destruição parcial ou total de objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades.

Violência moral
Conduta que configure calúnia, difamação ou injúria.

Redes de apoio à mulher
Na sociedade e na Igreja, há diversas redes atuando contra a violência e a defesa da mulher.

Lei Maria da Penha
Maria da Penha Maia Fernandes nasceu em 1945, em Fortaleza (CE). Biofarmacêutica e ativista brasileira se tornou um símbolo nacional contra a violência doméstica.
Em 1983, foi agredida pelo marido, com um tiro que a deixou paraplégica e, meses depois, sofreu nova agressão. Ela lutou por quase duas décadas, com denúncia e ativismo,  para que seu agressor fosse condenado.
Diante da lentidão da justiça brasileira, o caso foi levado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, que recomendou a punição do agressor e a mudança na legislação brasileira.
A lei foi sancionada em 7 de agosto de 2006 e é reconhecida como uma das mais avançadas no combate à violência de gênero, principalmente pela sua abrangência e pelas medidas de proteção que garante às vítimas. (Lei Maria da Penha, nº 11.340/2006).
Após a sanção da lei, Maria da Penha fundou o Instituto Maria da Penha para garantir a sua implementação e continua atuante, dando palestras e lutando contra a impunidade.

A Rede Um Grito pela Vida foi fundada em 2006. Nasceu da compaixão samaritana do Projeto de Jesus Cristo, das Congregações religiosas e da indignação profética. Para defender os direitos humanos da mulher, está organizada em 32 núcleos, distribuídos em 22 estados do Brasil. Mais informações: https://redeumgritopelavida.crbnacional.org.br/

Publicado originalmente em: https://universo.paulinas.com.br/conteudo/feminicidio-e-violencia-a-urgencia-de-proteger-as-mulheres/1625
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