144. Objeto divinal

Era um, depois dois, em seguida três homens
saídos das sombras de um saguão vazio, todo pintado de cinza.
Vieram mais: agora eram doze, vinte e quatro,
quarenta e oito
homens e mulheres saindo dos cantos,
dos recônditos, vindo para mais perto.
Todos circulando, circundando,
circunscrevendo
uma circunferência de corpos.
Entreolhavam-se, olhos famintos.
Dentes cerrados, punhos fechados,
amontoavam-se em torno de um objeto
iluminado, miraculoso, divinal.
Admiravam-no, sobressaltados, como diante de um totem.
Queriam agarrar o tal objeto,
mas havia suspense,
havia suspeita,
havia sobreaviso.
Uma espera, um recuo;
quem ia primeiro?
Era guerra!
Era guerra!
Alguém saltou sobre o objeto divinal.
A fúria abjeta de todos os outros saltou sobre ele.
Montanha de corpos.
Dente no pescoço, soco no peito, gente voando...
mas o primeiro era o dono...
o dono...
do rolo de papel higiênico.
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