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144. Objeto divinal

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16.04.2020 | 1 minutos de leitura
Pe. Eduardo César Rodrigues Calil
Poesia
144. Objeto divinal

Era um, depois dois, em seguida três homens 

saídos das sombras de um saguão vazio, todo pintado de cinza.


Vieram mais: agora eram doze, vinte e quatro,
quarenta e oito 

homens e mulheres saindo dos cantos,
dos recônditos, vindo para mais perto.


Todos circulando, circundando,
circunscrevendo
uma circunferência de corpos.


Entreolhavam-se, olhos famintos. 

Dentes cerrados, punhos fechados, 

amontoavam-se em torno de um objeto
iluminado, miraculoso, divinal. 

Admiravam-no, sobressaltados, como diante de um totem. 

Queriam agarrar o tal objeto, 

mas havia suspense,
havia suspeita,
havia sobreaviso. 

Uma espera, um recuo;
quem ia primeiro?


Era guerra!


Era guerra!


Alguém saltou sobre o objeto divinal. 

A fúria abjeta de todos os outros saltou sobre ele. 

Montanha de corpos. 

Dente no pescoço, soco no peito, gente voando... 

mas o primeiro era o dono... 

o dono... 

do rolo de papel higiênico.





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