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Velha fazenda

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25.03.2026 | 1 minutos de leitura
Luciana Silva
Poesia
Velha fazenda
Velha fazenda desbotada na parede
Guarda minhas memórias num silêncio tênue 
Era abrigo, aconchego, alegria e dores
Porque o tempo é tecido em espinho e flores
Guarda os meus primeiros passos 
Em seu solo de tábuas irregulares
Minhas cicatrizes e minhas peripécias 
Escalando suas paredes apoiada em suas janelas 
Suas janelas me mostraram o mundo 
Que havia além das fronteiras de nossas porteiras
Sua porta se abriu convidando-me a sair
E a crescer e saborear o doce e o amargo da vida
Em seu coração de casa acolhedora 
Guardou minhas memórias e minha saudade
Até que suas paredes, tecidas de barro 
Ficaram fracas e trêmulas 
E, como que sem piedade, o tempo 
A roubasse de mim
Virasse poeira, telhas quebradas, tábuas despedaçadas 
Sem dor, sem pranto, sem se despedir de mim
Mas a moldura desbotada 
Ainda guarda nossos segredos e sonhos 
Nossos dias risonhos 
De noite sem fim.
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