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487. Vaso

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12.03.2026 | 1 minutos de leitura
Pe. Eduardo César Rodrigues Calil
Poesia
487. Vaso
estas machucaduras,
ranhuras no barro duro, 
quebraduras insistentes,
várias,
permanentes. 

quis reinventá-las,
mas errei mais
—nem sempre melhor. 

quis a aventura, 
não menos dura
—aceitá-la também excrucia—
a coragem de ser eu,

depois de mim. 

depois de toda promessa,
depois de todo renascimento,
rebrotamento
ou refazimento do vaso
sempre quebrado.

estas feridas,
incuráveis, são testemunhas
de que o eu passou.

de que o tempo feriu— e é seu destino.

de que muito escorreu— e não há escolha.

de que não posso nada mais guardar,

pois vazo pelas fissuras 

uma nova vida;
estranhas entranhas como magnólias.

o perfume é mais vasto. 
e eu sou dele, lhe pertenço.

ferido, para sempre.

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