472. sem ti
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29.10.2025 | 1 minutos de leitura
Poesia

alcançar-me
depois de longas e longas jornadas
em territórios inóspitos,
desérticos,
extremos,
dentro.
depois de perder-me
em assombrosas encruzilhadas,
escravo da escolha, do tempo,
do medo
e do medo de perder,
de perder-me.
e perdendo aos poucos, muito
e cada vez mais,
perdi demais.
tudo.
e o mundo, e a ti, e a mim.
e a deus: doravante, esse absurdo.
e no silêncio também absurdo,
no esvaziamento completo,
na perdidura das respostas,
das certezas, das garantias,
das seguranças,
e de tuas mãos,
jazi.
e me ergui
com esforço,
para sempre ferido,
fendido, in-completo.
sem um eu a defender,
sem outro em quem esgueirar.
sem sentidos a pedir,
sem ti.
(pois ao me ver, desde agora,
não me venha prometer
completudes,
não me venha adormecer
para o mundo das linguagens,
para o mundo dos teus deuses,
preenchendo as lacunas
de meu falta-a-ser.)
deixa-me, pois sou livre e só.
inteiro, enfim,
com meus-vazios-em-mim.
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