400. senhora
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17.07.2024 | 1 minutos de leitura
Poesia

A senhora tinha sulcos profundos
Que o tempo rasgou em seu rosto.
Tinha olhos distantes
E não sabíamos se via o futuro ou o
Passado.
Tinha sabedorias e vivia de desagravos.
Depois de muitos dias,
Guardando suas lágrimas à beira
De um fogão de lenha,
Resolveu chorá-las.
Rezou a um Deus que não ouvia.
Parecia...
Um Deus que tardava,
Atordoava
Com suas distâncias.
Sofria calada,
Resignada,
Humilhada.
Por que certas cruzes são tão pesadas?
E se há um Deus por que não faz nada?
A senhora, entretanto, crê nele.
E entre dúvidas,
Recolhe suas distâncias,
Como quem se cobre de seda.
Isso muda tudo.
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