379. senhora das dores
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21.03.2024 | 1 minutos de leitura
Poesia

quanto a mim, uma espada
me transpassaria a alma:
tua palavra adulta contra minha
palavra pequena.
uma espada que me cortou
o coração em pedaços:
quero outro; você não, dizia.
foi outra palavra que me recolheu,
uma palavra-olhar, olhar ferido,
mas capaz de amar.
tentei arrancar todas as espadas
cravadas em ti, que me recolhias,
enquanto tu me tomavas em teu colo,
pietá, cravada no mármore, em mim.
a palavra que me fatiava em pedaços,
não servia, mesmo quando ela
quis ajuntar o que fatiou.
até que vi em seu peito também perfurado,
o sangue que buscava conter,
estancar com sua prece.
uma palavra tão dura, tão adulta,
era uma criança ferida.
há o buraco
e o vazio que comungamos.
e eu me concentrei em meu coração dilacerado.
é que eu já tinha apreendido o abandono,
e o produzi reiteradamente, em memória de mim.
desde então, ele era uma prática.
minha religião.
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