285. Poço
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22.03.2023 | 1 minutos de leitura
Poesia

Pela enésima vez
o poço, o cântaro
e a sede insistente.
Aguardo-te com
as poucas forças
Que me restam.
E quero atirar-me
Daqui para baixo.
Sentir meu sangue
Misturar-se à água.
Ferir-me nas pedras
para silenciar
As sedes
Que não respondes.
Dá-me de beber,
Pois aprendi que tua
Sede é tocar as nossas.
Mas não falas nada,
É teu costume.
A fundura escura
Do teu silêncio,
Poderia ser quebrada,
Com o estalido da queda?
O corpo ferido
na água fria:
Lágrima, sede
O cântaro para sempre
Quebrado.
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