230. Concreto
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12.01.2022 | 1 minutos de leitura
Poesia

Meu poema concreto
é um pelo branco
despontando
no meio da barba.
São as rugas que faço
ao sorrir.
Os dentes amarelos
de café.
Meu poema concreto
são alguns gramas
ajuntados aqui e acolá
e que quero perder.
O tempo não derrete
como os relógios de Dalí.
Envelheci
e não me tornei melhor
ou mais sublime,
mas me perdi.
E em terras de gente
muito encontrada,
foi o melhor que consegui.
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