231. Um poema (a)final
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26.01.2022 | 1 minutos de leitura
Poesia

Calou-me um profundo suspiro
E, ao abrir a boca
Para que houvesse palavra,
Chorei um abismo inteiro.
A desordem do mundo
A brutalidade da fome saciada no lixo
O barulho dos tiros fardados
Tudo turvo, todas as peles pretas
Entranharam-me feito fantasmas
E desordenado
Completamente atordoado
Lançado à sorte dos dementes
Estou eu agora
E mais ainda eu choro
Porque precisarei forjar ternura
Para sonhar os melhores sonhos
Com as duas crianças,
Pretas elas também,
Que me beijam todas as noites,
E fazem acontecer o raro clarão
Que alumiará o dia que virá.
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