225. Sobre a profecia na igreja
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12.01.2026 | 2 minutos de leitura
Diversos

Já achei que a Igreja Católica pudesse agir com voz profética, com base em uma teologia sadia, contra políticas absurdas, defraudadoras dos direitos humanos e do básico. Ainda acho, mas isso tem se tornado cada vez mais difícil. Agora estou mais convencido que é de fora das bancadas que isso deve ser feito, com todos os limites que isso implica. Aliar-se a instituições políticas sabota o espírito profético. Mesmo apoiando certas pautas, a identificação com as lógicas institucionais termina por fazer abrir mão de coisas que o espírito profético exige.
A instituição – política e religiosa – cala o impulso profético não raras vezes. E por falar em religião, os católicos de Instagram, os radtrads recém convertidos, sem estofo teológico nem cultural ou religioso — gente burra mesmo, com algumas raras exceções— acabam afundando ainda mais as coisas com a defesa de um farisaísmo 2.0 que eles chamam de cristianismo. Além disso, as pautas religiosas são mal administradas, manipuladas e distorcidas na boca dessa gente que não sabe nada do “chão da fábrica da igreja” e se sente mais católica que o papa.
Junta-se a essa terrível constatação, o absurdo de um evangelistão: a bancada da Bíblia é a bancada do ódio, em sua maioria. A bancada evangélica e católica é consumida por interesses mesquinhos, financeiros etc. Ela persegue, por motivos políticos, todos os que não se aliam à sua bandeira religiosa, exigindo que as pessoas todas creiam em Deus, creiam na moral que defendem, creiam em seus impasses. Eu realmente acho que muitos desses religiosos nem creem no que defendem; ou encontram prazer no ódio, ou querem defender suas economias pessoais, ou querem alçar voo pelo algoritmo ou em carreirismos institucionais.
Um estado laico é mais do que necessário. Sempre foi. Qualquer estado que exija uma reflexão sobre o poder pastoral, nesses termos, nos termos de poder, portanto, está ameaçado em suas bases políticas. O Brasil não pode ser uma teocracia e qualquer um que queira levantar a bandeira de uma teologia de domínio, que, no fundo, é só uma ideologia para salvaguardar privilégios, deveria ser ignorado. E não eleito.
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