138. Plantio
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24.03.2020 | 1 minutos de leitura
Poesia

É possível sorrir
Tendo motivos pra chorar.
E não por ignorar
A crueza;
Que há sangue e dureza,
Mas por esperançar.
Planto as lágrimas
Como a sementes,
Planto as dores
Recorrentes,
Planto as novas aflições,
As que inventaram...
E as que nunca cessaram
De se reinventar.
Planto a repetição
Sempre nova,
Que renova os jeitos
Da gente sangrar.
Planto tudo e acredito,
Ou deliro?,
Que o solo maternal
Engravidado de tanta
Lágrima,
Há de quebrá-las
Como com as sementes
E com a criatividade
Da terra
Vai fazer brotar a flor.
A dor se converte em alegria,
O coração partido
Em poesia;
Metade disso é acreditar.
A outra metade exige
Suor.
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