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136. Há

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06.02.2020 | 1 minutos de leitura
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Poesia
136. Há

Um louco famigerado,


Um psicoterapeuta surgindo.


Um santo fugindo,


Um pecador sorrindo.


Uma criança sempre chorando,


Outra brincando,


Outra cantando


Uma música para ninguém.


Um adulto tentando ser sério.


Um velho carcomido de dores.


Muitos amores


Idos,


Partidos,


Quebrados,


Desacertados.


Muitos amores descosidos,


Com dedos calejados.


Amigos amigos,


Amigos amados,


Amigos não tão amigos


Que o tempo levou,


Entre névoa e silêncio.


E o tempo:


Durando pra sempre,


Acabando de vez com tudo,


Acertando a esperança,


Cortando as asas do desejo


E do amor.


A mãe e suas várias vertentes,


O pai ausência sentida,


Ressentida,


Sepultada.


A avó, Maria de todas as tristezas,


Apontando sempre para a impotência


de um possível deus.


Um Deus que chora e morre.


Uma igreja onde os cantos alegres


Converteram-se numa missa de missa .


Flautas postas sobre a mesa do canto,


Na penumbra de um quarto escuro


E as pautas de uma música


Que não sei entoar.


Um caderno de colorir,


Uma prateleira de livros,


Cheios de ideias inconfessas


E quadros com fotos de alegrias saudosas.


Há tudo isso,


Nessa ideia de eu.


Essa ideia que se desconstitui,


À medida que me aproximo dela.







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