115. Míriam
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24.04.2019 | 1 minutos de leitura
Poesia

Que força me movia?
Digam-me o que havia...
Que aflição na noite parada e calma!
Será o desejo do que falta à alma?
E a noite ia cedendo ao dia,
Mas o pranto não cedia...
Nem raiava qualquer alegria,
Nas primeiras horas da manhã fria.
E se as trevas iam recuando
E mesmo a pedra ia rolando,
Das violências já idas, o olhar atordoado:
Até o corpo fora profanado?
O amor correu depressa, pés velozes.
A culpa ficou atrás, lembranças algozes.
Entraram a culpa e o amor na rocha vazia,
Mas só quem amava compreendia...
Escutei, então, a voz... meu nome.
Quis abraçá-lo, amá-lo, como quem passa fome.
O túmulo vazio, meu peito aberto.
Outra vez, cheio de vida, o coração liberto.
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