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34. Vigiai!

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30.06.2015 | 4 minutos de leitura
Leandro Narduzzo
Crônicas
34. Vigiai!

“Cuidado! Ficai atentos,

pois não sabeis quando chegará o momento.” (Mc 13,33)



 Deus ama a Vida.

Por isso ele é exigente com aqueles aos que a confia.

A vida está permanentemente em estado de sítio.

Por isso nunca faltará a missão do sentinela.

(Mamerto Menapace)



Muitas vezes nos perguntamos por que algumas situações são tão duras, por que algumas decisões são tão difíceis de tomar, por que hábitos e costumes que comportam grandes benefícios exigem tanto esforço de nossa parte. A resposta pode ser clara e simples, mas vivê-la não é tão simples, nem é tão claro o caminho a seguir. Uma resposta possível é a liberdade. O bom Deus nos deu o maravilhoso dom da liberdade. E esta exige de nossa parte a capacidade de dar uma resposta à sua proposta; isso se chama responsabilidade. A responsabilidade, caminho para a maturidade, é, entre outras coisas, um exercício que precisa ser treinado, como um esporte, um trabalho para toda a vida.


Entre amigos, a gente gosta de jogar futebol. O jogo é sempre um bom momento, de partilha, diversão e até de fraternidade e solidariedade, mas começa sempre com sofrimento para mim. Vou explicar por quê: eu não treino com frequência, e isso faz com que, nos primeiros minutos, eu sinta cansaço e pense que não vou dar conta do jogo. A sensação é bem ruim: parece que vou morrer. Porém, passados esses primeiros minutos, essa sensação acaba e o corpo começa a dar conta de correr e desfrutar do prazer do jogo.


Apesar dos limites próprios de toda comparação, o jogo do futebol pode nos ajudar a entender a vida espiritual. Rezar, contemplar, fazer revisão de vida, e até o próprio exercício da caridade, tudo isso passa por um tempo árido, dificultoso e não isento de tentações, que vão querer nos levar a desistir, a colocar outras prioridades em primeiro lugar e, no pior dos casos, outros valores menores ou falsos. É de vital importância superar essa primeira fase, ou melhor, tirar algum proveito dela. Bom começo é entender que o belo não é somente aquilo que é prazeroso, livre de estresse. Também o que é sofrido, difícil, trabalhoso pode ser bom e belo. Há valores superiores, presentes em cada esforço, em cada situação, decisão ou desafio, mesmo os mais difíceis.


A fé, que em muitos casos pode ter sabor amargo, é um dom precioso, mas também uma tarefa e uma conquista. E, por ser tão preciosa (como dom e conquista), pode ser arrebatada de nós, sem que nós o percebamos. É como se afecções desordenadas, desejos de conforto e egoísmos escondidos nos recônditos de nosso coração, sentissem inveja da nossa fé e, por isso,a assaltassem e a ferissem, querendo aniquilá-la, destruí-la. Mas esse embate entre a fé e dúvida, entre a força e o desânimo, entre o desejo de continuar e de desistir, é um bom sinal; ele sinaliza que fazemos uma boa caminhada. O negócio é não desistir. E vigiar, ficar atentos para discernir os sentimentos, as emoções, as moções interiores...


Engana-se quem pensa que o bem, a fé, a vida em Cristo só dão alegrias. Caminhar na fé pode doer muito, apesar da alegria da companhia do Ressuscitado. E engana-se também quem pensa que tudo que tira a gente do caminho de Deus é mal e triste. As coisas não são tão simples. Nem sempre o que parece bom é tão bom. E nem sempre o que dói e faz sofrer vem do mal. Confiemos, pois, no conselho do Senhor e estejamos atentos: vigilantes. Ele não nos deixa sozinhos; sua graça nos ajuda e acompanha; sua presença persistente é garantida. Lembremo-nos da canção que nossa gente entoa em nossas celebrações: “E ainda se vier noite traiçoeira; se a cruz pesada for, Cristo estará contigo; o mundo pode até fazer você chorar, mas Deus te quer sorrindo...”. Deus, que nos ama, tem um projeto de plenitude para cada um de nós e nos quer felizes, mesmo nas pelejas da vida!





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