240. Campo
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13.04.2022 | 1 minutos de leitura
Poesia

Um campo de
Ossos ressequidos:
Sem corpo próprio,
Sem fibra.
A última desolação
a corroer o campo de restos.
Tentam se erguer,
desconjuntam.
Tentam ressuscitar,
Mas não têm carne,
A carne vivificada.
Mas eis que vem a
hora do sopro,
O tempo da ternura.
Os ossos fremem,
Erguem-se mais que depressa:
Já têm músculos e nervos
Envolvendo órgãos vivos.
Já têm peles e olhos,
E nos olhos brilhos,
E nos brilhos sonhos,
E nos sonhos, espírito.
E na boca, palavra,
E na palavra, sopro.
Corpos cheios de fogo;
éros e paixão.
Pulsão, vida e morte conjugados,
Reconciliados no gozar!
Em suas bocas não há só dentes,
mas também sorrisos.
E no peito, não só um coração,
Mas o movimento de todo
o universo.
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