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240. Campo

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13.04.2022 | 1 minutos de leitura
Pe. Eduardo César Rodrigues Calil
Poesia
240. Campo
Um campo de
Ossos ressequidos:
Sem corpo próprio,
Sem fibra. 
A última desolação 
a corroer o campo de restos. 
Tentam se erguer, 
desconjuntam.
Tentam ressuscitar, 
Mas não têm carne, 
A carne vivificada.
Mas eis que vem a 
hora do sopro, 
O tempo da ternura.
Os ossos fremem,
Erguem-se mais que depressa:
Já têm músculos e nervos
Envolvendo órgãos vivos. 
Já têm peles e olhos,
E nos olhos brilhos, 
E nos brilhos sonhos, 
E nos sonhos, espírito.
E na boca, palavra, 
E na palavra, sopro. 
Corpos cheios de fogo; 
éros e paixão. 
Pulsão, vida e morte conjugados, 
Reconciliados no gozar!
Em suas bocas não há só dentes,
mas também sorrisos. 
E no peito, não só um coração,
Mas o movimento de todo 
o universo.

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