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222. Advento: início de um novo ano

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01.01.2026 | 4 minutos de leitura
Pe. Eduardo César Rodrigues Calil
Diversos
222. Advento: início de um novo ano
O tempo do advento marca o início de um novo ano litúrgico na Igreja, dessa vez o ano A, em que meditaremos sobretudo o evangelho de Mateus. Mas é também tempo de preparação para a chegada do Senhor, que nos vem visitar em seu Natal. É tempo de cultivar esperanças.

(A atriz Cida Mendes, com sua personagem Concessa, nos deu uma bonita imagem do que é advento. Que não é só arrumar os enfeites nem a casa pro natal. Advento é tempo de deixar ventar dentro da gente. Fazer uma faxina nas nossas vidas, livrar-se das coisas que atrapalham os pensamentos, ficar livre das pessoas que fazem mal, que estorvam, mudar o pensado pra mudar o agido. Depois dessa limpeza, você fica detox, ela diz. Depois disso tá na hora de decorar com o que você tem de melhor; sua alegria, seu amor, seus talentos. É deixar mesmo o advento virar uma ad-ventania).

Nesse tempo é possível percebermos a liturgia falando sobre três vindas de Jesus. Os dois primeiros domingos nos falam sobre essa vinda definitiva, sua vinda naquele dia e naquela hora desconhecidos, que nos põem em vigilância, em esperança ativa. Isso combina com nossa confissão de fé quando dizemos: está sentado à direita de Deus Pai todo poderoso, de onde há de vir… Os outros últimos domingos nos lembram a esperança pela vinda do Senhor no Natal, quando fazemos memória de sua encarnação. Memória vivida a cada ano, até que seja Natal dentro da gente. De um modo, então, olhamos para o futuro, de outro para o passado. Mas há uma terceira vinda que é aquela que acontece sempre, diariamente, pois o Senhor vem ao nosso encontro de muitos e muitos modos, se formos sensíveis para perceber. E apesar desse didatismo, essas vindas não estão tão separadas assim, muito pelo contrário. Portanto, estamos falando do Deus que é, que era, e que vem. 

O evangelho desse fim de semana é sobre o Senhor que já veio, mas vem sempre, que virá. Cada instante que virá, pode ser esse instante em que ele vem. Cada instante guarda algo de definitivo, cada encontro guarda algo de decisivo. É um convite, portanto, à atenção. 

E o texto é claro. A vinda do Filho do Homem será como no tempo de Noé. Pois nos dias, antes do dilúvio, todos comiam e bebiam,
casavam-se e davam-se em casamento,
até o dia em que Noé entrou na arca.
E eles nada perceberam até que veio o dilúvio e arrastou a todos. O evangelho parece pedir atenção e vigilância para percebermos a vida que é sempre inesperada, pois quando ela acontece, sempre surpreende, chega sem aviso. 

Mas se é possível perceber uma chuva chegando, não é meio óbvio reparar nas proximidades de um dilúvio? Não é meio escancarado, reparar numa arca? Sem atenção, ou vigilância se quiserem, sem sensibilidade redesperta, quantos dilúvios acontecem sem que a gente note… quantos dilúvios ignoramos dentro da gente e dentro dos outros, quantos dilúvios nos arrastam… quantas oportunidades se perdem. Às vezes é o óbvio. Às vezes é o que está às vistas, presente, o sempre ignorado. 

Por isso uns são levados e outros são deixados, no campo ou no moinho, homens ou mulheres, nos afazeres do dia a dia; porque uns estão despertos, outros não. Uns estão acordados para a vida, outros não. Uns são sensíveis, outros vivem como se dormentes. Ser levado e ser deixado não é seleção ou arrebatamento, apesar dos verbos passivos. Mas diz de quem é levado por outra lógica, por outra dinâmica, por outro olhar. 
 
O Senhor vem inesperadamente como um ladrão. E vem sempre. Mas não nos assaltará, nem invadirá nossas casas. Baterá à porta. Entre o som da batida e sua entrada, está o instante da escuta. Estaremos preparados para lhe abrir as portas?

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