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203. Adoração da Santa Cruz

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15.09.2025 | 4 minutos de leitura
Pe. Eduardo César Rodrigues Calil
Diversos
203. Adoração da Santa Cruz
Do útero da noite, um homem velho quer parir o novo, mas está preso à lei e, andando no escuro, tropeça. Ele é convidado a nascer de novo e do alto, mas ele é velho não porque tenha idade avançada, mas porque está preso ao passado. Ele acredita no Deus dos pais, o Deus que era, mas está diante do Deus que é, sem se dar conta. E por isso se fecha à manifestação do Deus que vem.
Esse homem não compreende o que é nascer da água e do espírito, e por isso não pode entender que quanto maior for o amor do ser humano pelos irmãos, muito maior será a efusão do Espírito, que não conhece fronteiras e que sopra onde quer. 
Esse amor se revela naquele mesmo que desceu do céu e se fez humano, expondo-se a nós. Esse é o clímax do drama divino: amar-nos tanto, a ponto de não impor nem se impor; de não propor, mas expor-se a nós amando-nos, e de tal modo, que poderia inclusive ser recusado, rejeitado e morto. 
Morto pelos nossos pecados, mas não porque Deus o tenha enviado para sangrar, para satisfazer seu ressentimento eterno. Para aplacar seu descontentamento com nossa falta, Deus não precisava cometer uma falta maior. Morto pelos nossos pecados, porque nossa desumanidade recusou o seu projeto e o pregou numa cruz violenta. Sim, a cruz de Jesus é um assassinato. Um suplício dado aos piores bandidos, um sinal de maldição; e de que, portanto, quem estava pregado lá, era maldito. Mas Jesus, ele mesmo ensinou: ninguém me tira a vida, eu a a dou por mim mesmo. E mesmo ali onde as desumanidades acharam que imobilizavam suas mãos, pregando-as no madeiro, ele abraçou toda a humanidade, em seu amor. Mesmo ali onde pregaram seus pés, tentando parar seus passos, sua vida arrebentou-se como semente que eclode e dá novo fruto. Ali, onde a cruz é fincada não é o fim de tudo, mas o fulcro, o cerne da vida: o mundo até gira, mas a cruz permanece. E ao olharmos para a cruz, vemos seu amor até o fim. Não é à morte cruenta que adoramos, mas à vida que é tão abundante, que nem a morte pode ameaçar ou prender; que nem a morte pode silenciar, mesmo prendendo o corpo de um homem numa cruz. 
Deus não enviou seu filho para morrer; Deus nos deu seu filho para amar-nos, já que ele mesmo amou tanto o mundo e ambos se enlaçam no mesmo amor. Deu-nos seu filho para que tenhamos vida eterna, que é essa vida transformada por seu amor, até que um dia venha o encontro definitivo com ele. Deu-nos seu filho não pra condenar o mundo, mas para salvá-lo; e o que salva não é um gosto macabro de Deus pela morte, mas a vida feita dom. 
Como a serpente de bronze erguida no deserto por Moisés era sinal de vida, sinal arrancado de uma maldição; a cruz de Jesus, antes sinal de maldição, agora é sinal de vida. Olhando pra ela, somos convidados a fixar o olhar no Cristo e na humanidade nova que ele revela.  Não está lá, na elevação daquele que veio junto de Deus, uma derrota ou humilhação, mas sua exaltação e sua glória. Mas sua glória não é um triunfo como os nossos trunfos pequenos, é bem mais que isso: é a vida feita fruto — e fruto que permanece! 
É para lá que somos atraídos, todos nós. Para a cruz, nova árvore da vida, cujo fruto nos faz de natureza divina, para que não tenhamos que nos esconder mais, nem atrás de arbustos, nem na noite temerosa, nem no passado, nem na escravidão à lei. Nascemos do alto, por causa daquele que foi elevado. E graças a seu Espírito, vento indômito, também nós podemos descobrir o que é ser, finalmente, gente!
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