272. Poesia
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29.11.2022 | 1 minutos de leitura
Poesia

Nenhuma poesia,
Nenhuma palavra,
Nenhum maldito,
Bendito,
Índigo,
Púrpura verso.
Nada mais.
Nada aos seus ouvidos
Ímpios, indelicados,
Seus ouvidos mudos.
Nada mais a ressoar em suas
Orelhas indignas.
Nem louvores à chuva,
Ao céu,
Ao crepúsculo véu.
A saudade torcida nas letras
Do agora dobrado papel,
Posto na chama bruxuleante,
Que apaga.
Apaga em sua transmissão
De chama.
Nenhum chamado,
Contato,
Evocação de deuses,
De demônios.
Nenhum exorcismo,
Nenhuma heresia,
Nenhuma ética, estética.
Cética linha
Que risco.
Encerro a carreira mal lançada,
Não guardo nada
nem a fé.
Na corrida incompleta,
No combate perdido,
Corto as asas do poema,
Enfio-o na gaiola dos sintagmas,
Sufoco-o
E se acabou.
Acabou-se o laço,
Porque o poema que o fazia.
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