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230. Um sal que não é visível

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09.02.2026 | 3 minutos de leitura
Pe. Eduardo César Rodrigues Calil
Diversos
230. Um sal que não é visível
Mt 5,13-16

“Vamos precisar de todo mundo
Pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
Vamos precisar de muito amor

A felicidade mora ao lado
E quem não é tolo pode ver

Vamos precisar de todo mundo
Um mais um é sempre mais que dois
Para melhor juntar as nossas forças
É só repartir melhor o pão
Recriar o paraíso agora
Para merecer quem vem depois
Deixa nascer o amor
Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor
Deixa viver o amor
O sal da terra”,

Essas letras são do cantor Beto Guedes, mas bem que poderiam também ser de Jesus. Afinal, é disso que o Senhor nos fala quando, como novo Moisés, sobe a montanha e declama aquele que ficou conhecido como o sermão da montanha. Lá do alto, vendo mais longe, divisando o horizonte, Jesus sabe os riscos de uma vida desperdiçada, sem sabor, insossa como o sal que perde o gosto e não serve pra mais nada.

Assim é seu amor e o Reino dos céus: como um sal que não é visível, mas fundamental. E como o sal confere e potencializa sabores, o Reino dos céus é a potência escondida da vida; não está lá longe, está bem perto, entranhado na existência. Quem assim compreendeu tornou-se sal para os outros.

Mas Jesus também diz que somos luz. Uma luz que não pode ficar escondida, mas que deve cumprir a sua função de iluminar e rasgar escuridões. Não há nenhum convite aqui ao egocentrismo presente nos discursos modernos que dizem “não esconda seu brilho”. Trata-se de não ser omisso, de não deixar que a vida se torne uma luz escondida, apagada pelo medo ou pela comodidade, colocada debaixo da vasilha da insensibilidade. Jerusalém fez assim: tinha a missão de ser luz para os povos, mas se preocupou mais com as pedras escovadas de sua cidadela… esqueceu-se de sua missão, escondeu a luz sob a vasilha e fez a luz perder sua função. 

Uma luz é luz, porque irradia e rasga as escuridões. Assim foi Jesus, a luz que brilhou e ainda brilha nas trevas da nossa noite. Ele nos vem transmitindo: são aquelas bem-aventuranças, que nos foram apresentadas no domingo passado, que fazem da nossa vida sal e luz do mundo.

Brilhe, pois, a nossa luz, não para nos engrandecer, mas para que outros, vendo as nossas boas obras pois são elas que iluminam, louvem a Deus. Foi Deus mesmo que escondeu no útero de nossa vida o sabor dos sabores, a luz das luzes, seu Cristo.

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