260. Convivência harmoniosa entre os diferentes
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17.01.2022 | 2 minutos de leitura
Crônicas

“O corpo não é um só membro, mas muitos” (1Cor 12,14)
“Vamos, venhamos
Isto é um fato:
Tudo igualzinho
Ai, como é chato!”
(Tatiana Belinky)
A figueira vermelha, mais conhecida como mata-pau, é uma árvore nativa brasileira. Quando andei pelo Parque Nacional do Peruaçu, no noroeste de Minas, percorrendo trilhas e adentrando cavernas e grutas, o guia turístico – um típico sertanejo mineiro – nos apresentou essa espécie. Trata-se de uma árvore estranguladora, uma epífeta que cresce assustadoramente e sufoca a hospedeira, matando-a com o abraço de suas raízes aéreas. É uma dessas curiosidades da flora, que vale a pena a gente observar.
Ao contrário da mata-pau, outras espécies convivem harmoniosamente com suas companheiras, mesmo quando se trata de epífetas – aquelas que precisam do suporte de outra planta para se agarrar e sobreviver. É o caso também de algumas espécies que – generosamente – “cedem espaço” para as plantas que com elas competem sol, água e nutrientes.
No trajeto de minha caminhada diária, ando observando um caso desses. Uma palmeira esguia e elegante cresceu praticamente agarrada a uma sibipiruna maravilhosa, coberta de flores amarelas. A palmeira furou a copa da sibipiruna e as duas se confundem numa simbiose perfeita. Se cada qual já tem beleza própria, muito mais bonito ficou o conjunto das duas vizinhas convivendo em parceria. Bem diferente da mata-pau, a sibipiruna, apesar de mais forte, não fez uso de sua potência para sufocar a outra. E, apesar de mais singela e frágil, a palmeira se encontra vigorosa com belos cachos. Um espetáculo de encher os olhos e fazer pensar.
Nesses tempos de totalitarismos e de ressuscitação da extrema direita, tenho ficado pensativa acerca do esforço que esses grupos fazem para homogeneizar os costumes, os gostos, os modos de ser, de pensar e de viver. Com uma mata-pau, essas epífetas humanas estranguladoras não cedem espaço para o diferente. Não admitem a diversidade e não reconhecem a pluralidade da vida. É preciso fazer todas as pessoas pensarem de forma homogênea, pois a diversidade se apresenta perigosa. Não é à toa que os grupos chamados minoritários, tais como os LGBTQIA+ que saíram dos armários, os negros conscientes de sua cultura e história, as mulheres empenhadas na luta feminista, os índios organizados na defesa de suas terras etc. são visivelmente perseguidos por esses valentões da floresta humana. Estes são pitbulls antissociais, incapazes de conviver pacificamente com o diferente, pois enxergam os outros como inimigos e não como parceiros da vida.
Essas figuras fazem mal em qualquer sociedade e em qualquer cargo que ocupem. Na política, porém, o estrago é bem mais prejudicial. Preocupa especialmente a presença deles no legislativo, pois os mata-paus legislam em causa própria com o objetivo de estrangular quem pensa de outro modo. Seu abraço é traiçoeiro; suas raízes se apoiam em outros pilares mas o objetivo final é a morte de seu apoio. Bem diferente da sibipiruna e da palmeira, não é possível pensar em convivência harmoniosa: uma espécie precisa morrer para que a outro viva.
Sabendo que não faltam mata-paus na política brasileira, é preciso tomar muito cuidado com quem nos abraça. Não há nenhum problema em fazer acordos e alianças, coisa mais que necessária e recomendável na política. No entanto, alguns pretensos parceiros são mata-paus despistados de companheiros. Na primeira oportunidade, estrangulam seu apoio e dão o golpe fatal. Não foi o caso do golpe de 2016? Triste saber que na selva da política brasileira essa gente não é raridade. Melhor prevenir que remediar! Que venham as eleições com as alianças necessárias para derrubar esse governo genocida. Só não podemos nos descuidar para não repetir o acontecido de 2016. Toda convivência democrática é bem-vinda e salutar. Quanto aos mata-paus, devemos exterminar essas espécies da política brasileira!
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