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13. A mudança epocal

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21.03.2015 | 3 minutos de leitura
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13. A mudança epocal

Se tem algo que anda falado por aí é a tal mudança epocal, expressão que aparece vez ou outra nos documentos da Igreja e em muitos textos teológicos. Para falarmos da necessidade de uma catequese sob outro formato, precisamos antes compreender as mudanças do mundo. Na cristandade, evangelizamos com a força dos catecismos e priorizamos a pedagogia do ensinamento, cuja preocupação era transmitir as verdades da fé. Na modernidade, evangelizamos a partir da realidade do catequizando: admitimos que o conhecimento tem bases na experiência cognitiva do próprio aprendiz e percebemos que sua história é ponto de partida para toda reflexão. Mas, diante de tão grandes mudanças, será que esses paradigmas catequéticos ainda dão conta do mundo pós-moderno, também caracterizado como pós-cristão? Parece-me que os caminhos outrora percorridos – todos com valor reconhecido para seu tempo – não têm mais respaldo diante do mundo em mudanças que ora se delineia aos nossos olhos.


Mas o que mudou? Houve mudanças somente no campo tecnológico, no campo da ciência, dos costumes e da moral? Não! Hoje, as mudanças são bem mais significativas: o modo de ver a vida mudou, os valores mudaram, os parâmetros que tínhamos para avaliar e mensurar a vida também mudaram. A linguagem mudou, a gramática existencial mudou, ou seja, nosso modo de nos posicionar diante da vida, das pessoas, das coisas... Tudo mudou e não seria razoável continuar o trabalho catequético sem considerar essa nova realidade. Para cada tempo, uma evangelização própria. Vejamos, pois, algumas características do mundo contemporâneo que devem ser levadas em consideração na hora de escolher o modo de evangelizar.


Nosso mundo é complexo, plural, multirreferencial, bem diferente dos tempos anteriores – tanto da cristandade quanto da modernidade – ainda bem homogêneos. Na cristandade, a formatação do mundo era dada por Deus e seus afins: religião, Igreja, fé, etc. Na modernidade, a razão tornou-se responsável por esta tarefa, juntamente com a técnica, a ciência e o progresso. Hoje, porém, a uniformidade é algo que escapa ao mundo. As referências do sujeito – antes postas em Deus ou na razão –, migraram para sua interioridade, para sua subjetividade. E, como cada cabeça é uma sentença, a pluralidade floresceu, desabrochou vigorosa, exigindo seus direitos. É tal essa mudança que, mais importante que a religião ou que o próprio Deus, é a liberdade religiosa, o direito de expressar a fé, de crer ou, inclusive, de não crer.


Ora, se a cristandade ficou na quimera e se a modernidade perdeu seu elã, não adianta mais evangelizar a partir do parâmetro dessas duas realidades. É tempo de aceitar que vivemos em tempos de secularização galopante e que essa nova realidade não é inimiga da fé cristã, nem profetiza o fim do cristianismo. Ao contrário, tal mudança poderá ser uma chance maravilhosa para a fé cristã: uma oportunidade única para o anúncio do evangelho. Nos próximos artigos falaremos sobre essas mudanças e os desafios que o tempo atual impõe à catequese.







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