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12. Encontros catequéticos II

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28.02.2015 | 3 minutos de leitura
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12. Encontros catequéticos II

Com a chegada da modernidade e a reviravolta antropológica causada pelo iluminismo, a pedagogia do ensino se viu desacreditada. Pedagogos e psicólogos perceberam que havia algo errado. O aprendiz não é um ser passivo que apenas acolhe, apreende, assimila, decora o que foi ensinado. Ele, a partir de suas próprias categorias, constrói seu conhecimento, afirmaram eles. Então, houve uma reviravolta pedagógica e a catequese não ficou fora dela. Outra pedagogia catequética se impôs: a pedagogia da aprendizagem. Nessa pedagogia, o foco era bem outro: não o catequista, nem a verdade que ele ensina, mas o catequizando que constrói seu conhecimento, sua experiência de fé. Surgiram, a partir daí, muitos catecismos ou manuais catequéticos, cada qual adaptado à realidade do catequizando, partindo da realidade social, cultural e política na qual o catequizando estava imerso. Houve um avanço sem conta.


Apesar de todos os avanços, a catequese continuou entendida como aula, um lugar para conhecer as coisas de Deus, para aprender a religião. Certamente, o foco era outro. Nessa pedagogia, a religião não era só acolhida na obediência da fé; era construída passo a passo, a partir da experiência concreta da vida dos catequizandos. Mas, mesmo assim, a preocupação em dar as razões da fé não era pequena. Ao contrário, crescia cada vez mais. Não era possível ficar satisfeito com as respostas prontas que haviam sido dadas tempos atrás. A fé exigia reflexão, interpretação, justificação e razoabilidade; não era mais possível crer numa fé absurda em nome do mistério de Deus. Entendeu-se que Deus se fez homem, assumiu a realidade humana e essa realidade inclui com certeza a razão. Deus não pode ser contra a razão; a fé não pode ser contra a ciência; a experiência humana não é alheia a Deus.


Essas inovações fizeram história, mas mesmo assim a catequese continuou sendo aula; uma aula mais moderna da qual o catequizando era parte integrante. A doutrina cedeu lugar à mensagem evangélica. O relato evangélico passou a ser entendido como fruto da cultura e da experiência humana, concomitante à inspiração divina. A hermenêutica se tornou peça fundamental dessa catequese. Mas, mesmo assim, o catequizando continuou tendo aulas de catequese, continuou sendo um aluno. Certamente, um aluno que protagoniza seu conhecimento, mas ainda assim um aluno que busca conhecer a religião ou Deus, como se Deus fosse uma incógnita a ser encontrada. A pedagogia da aprendizagem deu passos gigantes, mas ainda deixou uma lacuna. A iniciação, que é bem mais que ensino ou aprendizagem, apesar de contemplar também essas facetas, não aconteceu. A iniciação está no âmbito do encontro com Deus e não da aula de religião. Este assunto vem nos próximos artigos.







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