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11. Encontros catequéticos I

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18.02.2015 | 3 minutos de leitura
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11. Encontros catequéticos I

Quando o objetivo da catequese era burilar a fé, ou seja, dar-lhe o acabamento, o método catequético mais usado aproximava-se de um aula de religião. A doutrina, os dogmas, a moral, as orações da Igreja e seus rituais litúrgicos deviam ser ensinados aos catequizandos. Esse formato de catequese ganhou força por ocasião do Concílio de Trento. Vamos entender isso melhor.


No século XVI, a fé cristã, antes professada somente no formato católico, deparou-se com outra possibilidade: a fé cristã da Reforma Protestante. Isso causou muita confusão, especialmente na cabeça do povo simples, que não sabia distinguir uma coisa da outra. Preocupada com essa confusão e desejosa de manter seus fiéis no seu redil, para que não debandassem na corrente luterana que se formou, a Igreja deu logo jeito de providenciar um catecismo que fosse fonte de esclarecimento para o povo. Esta foi uma das tarefas do Concílio de Trento, que fez frente à Reforma Protestante. Carlos Borromeu e alguns outros foram encarregados deste trabalho e formularam o famoso Catecismo dos Párocos, um manual da fé para os párocos ensinarem à sua gente após a Missa. Assim, após a celebração, os párocos ensinavam a verdadeira religião para seu rebanho.


Este catecismo, porém, apesar de grande acolhida, encontrou resistências. Não era lá muito fácil. Parecia a Suma Teológica de Tomás de Aquino, em linguagem mais acessível, mas nem por isso era fácil. Nem todo mundo se adaptou. Foi aí que Pedro Canísio fez um catecismo mais facilitado: um manual com perguntas e respostas. Bingo! Bem na mosca! Agora sim, haviam acertado, pensavam eles. O catecismo trazia a pergunta teológica que causava transtorno e a resposta dava jeito de logo eliminar a polêmica. Tal catecismo facilitou muito a dinâmica catequética. A catequese se tornou sinônimo de catecismo, a tal ponto de a gente dizer na infância: “Mãe, vou para o catecismo” e não “Mãe, vou para a catequese”.


A pedagogia catequética que mais combinava com os catecismos era a pedagogia do ensino. O foco dessa pedagogia eram o catequista e a verdade que ele ensinava, não o catequizando. O catequista ensinava a fé, como numa aula ao modo antigo. Para saber o catecismo, era preciso um esforço de memória, de assimilação, de retenção do conteúdo. Mas não era preciso construir o conhecimento: as verdades da fé eram dadas, bastava acolhê-las na obediência da fé.


Essa pedagogia considerava o catequizando como uma tábula rasa, ou seja, um cabeça-oca da fé a quem era preciso ensinar tudo. A lógica era assim: Deus havia revelado as verdades da fé à Igreja; a Igreja então compilou essas verdades no catecismo, que fora confiado ao catequista; o catequista transmitia essas verdades aos catequizandos e eles as guardavam na obediência da fé. Por isso, a importância das perguntas. Partia-se do princípio que as perguntas dos catequizandos eram as perguntas do catecismo e não outras. Assim sendo, bastava guardá-las no seu coração: decorar. Ou seja, a catequese era uma aula de religião facilitada, com perguntas e respostas que eram anotadas no caderno e decoradas em casa. Pensava-se que o catequizando já trazia a fé, a experiência de Deus, vinda do seio familiar. Uma aula de religião era mais que suficiente para burilar a fé.


Mas isso mudou... Essa mudança será tema do próximo artigo.







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