117. À vida

Se me quebrares em mil pedaços,
Far-me-ei mosaico de mil cores.
Se me sangrares com tuas adagas,
Oferecer-me-ei como vinho transbordante.
E se me sovares como à massa,
Far-me-ei o pão das manhãs famintas.
Se choveres a noite toda, mostrando-me tuas tempestades,
Serei o orvalho nas folhas que resistiram.
Se me enganares com promessas de futuro,
Desembrulharei o presente como a criança festiva.
Se desorganizares minhas prateleiras,
lançando no vão os anos de sistemática,
Meu cálculo serão as horas de riso.
Se disseres que todas as esperanças se perderam na desilusão e,
assim, lançares minha alma no desamparo,
Aprenderei a habitar o vazio e vou decorá-lo com flores...
Se a dúvida sobrevier, nossos corpos nus se deitarão...
Se quiseres me apresentar teu nada,
nós nos amaremos como jovens num fim de tarde...
Se me humilhares fazendo-me pó,
Renascerei flamejante no amor.
-
Homilia de Corpus Christi08.06.2026 | 7 minutos de leitura
-
odres02.06.2026 | 2 minutos de leitura
-
sede01.06.2026 | 1 minutos de leitura
-
Espírito da vida22.05.2026 | 4 minutos de leitura
-
Não vos deixareis órfãos (Jo 14, 15-21)18.05.2026 | 4 minutos de leitura
-
Outro modo de presença15.05.2026 | 4 minutos de leitura
-
Caminho, verdade e vida06.05.2026 | 5 minutos de leitura
-
A era da opinião e o terço da madrugada04.05.2026 | 12 minutos de leitura
-
Para fora (Jo 10, 1-10)27.04.2026 | 4 minutos de leitura
-
Como as águas de um rio03.04.2026 | 5 minutos de leitura
Relógio gigante01.07.2026 | 1 minutos de leitura
Composição24.06.2026 | 1 minutos de leitura
odres02.06.2026 | 2 minutos de leitura
sede01.06.2026 | 1 minutos de leitura
Abraço infinito13.05.2026 | 1 minutos de leitura
Ecos30.04.2026 | 1 minutos de leitura
Restos29.04.2026 | 1 minutos de leitura
O homem do sótão22.04.2026 | 1 minutos de leitura
Redenção20.04.2026 | 2 minutos de leitura
Poesia16.04.2026 | 1 minutos de leitura

