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Casinha onde nasci

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19.08.2026 | 1 minutos de leitura
Luciana Silva
Poesia
Casinha onde nasci
Quanta saudade da casinha onde nasci
Lá no sertão, na lonjura das Gerais
Nossa porteira nos fechava para o mundo 
Uma alegria, calmaria e muita paz.

Moinho d’água amassando nosso milho 
E, no engenho, a garapa, a rapadura 
Duas vaquinhas remoendo bem tranquilas
Nosso quintal tinha frutas com fartura.

Na nossa casa o piso era de madeira 
Tábuas já gastas mas lustradas pela cera
De pau a pique as paredes se teceram
E muitas frestas nas janelas apareceram.

Telhado antigo que enchia de pingueira
Mas tinha sótão, alegria benfazeja 
Quando a visita sem aviso aparecia
Era o lugar onde eu me escondia 

Fogão à lenha que queimava o dia inteiro 
Banho de balde, água de bica sem torneira
Andar descalço, de ciranda a brincar
E na capa de coqueiro escorregar 

A nossa casa era feita de alegria 
No fim da tarde era uma cantoria 
Violão chorava dedilhado de emoção 
No céu brilhava a minguante, é sertão.

Tem certos dias dá vontade de parar
Virar criança para no tempo voltar
Brincar de sonho e rever o tempo bão
Ver minha mãe e ver meu pai e meus irmãos. 

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