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8. Procurando caminhos

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29.01.2015 | 4 minutos de leitura
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8. Procurando caminhos

Ainda sobre o déficit de iniciação, podemos afirmar que a Igreja está procurando caminhos e a catequese tem muito a contribuir com esse processo. Primeiramente, falemos da Igreja em geral. Depois, especificamente da catequese.


Façamos uma comparação. Toda comparação é boa porque visibiliza o problema e a gente ganha em expressão e significado. Mas toda comparação é ruim, pois tem seus limites. Mesmo assim vou arriscar. Para que o déficit de iniciação seja superado, há de se ter um planejamento, um conhecimento real e concreto das entradas e despesas. É como uma família que está com déficit no orçamento, ou seja, está gastando mais do que o tanto que recebe. Para superar o déficit, a família precisa planejar as contas, os gastos; tem que saber exatamente quanto entra e quanto sai de dinheiro. Precisa pensar como pode economizar e também como pode aumentar sua arrecadação. Imagine só uma família rica, sempre acostumada a luxos e gastos exorbitantes. De repente, vem uma crise econômica e ela entra em processo de empobrecimento. O que ela arrecada não dá mais para manter o padrão de vida de antes. E ignorar a crise não ajuda em nada, só piora a situação. É preciso encarar os desafios e planejar os gastos, ver como é possível aumentar a arrecadação para sobreviver dignamente no momento difícil.


O mesmo se dá com a Igreja. Se há um déficit de iniciação, a Igreja precisa ver onde foi que gastou mais que o tanto que arrecadou. Nós, a Igreja, demoramos a entender que no “caixa do catolicismo” não entrava mais o tanto de fé de outros tempos. Vamos dizer que vivemos tempos de carestia, de dificuldades nesse campo. Os tempos mudaram e as referências de fé se tornaram tênues neste mundo plural e secularizado. Logo, diminuíram as entradas da experiência cristã de Deus, da iniciação. Se isso é fato, é preciso diminuir as despesas ou bolar uma estratégia para aumentar a entrada da fé. Ora, diminuir as “despesas da fé” parece impossível. Cada dia a vida exige de nós uma fé mais madura, mais esclarecida, mais pessoal, mais consciente e livre, não só porque as ofertas religiosas são muitas e variadas, mas também porque a vida apresenta desafios sempre inesperados. Então, se os gastos não cessam, ao contrário, se multiplicam, é preciso investir; é preciso proporcionar a experiência da fé, coisa que não é mais natural na sociedade contemporânea.


Para proporcionar a experiência cristã de Deus, a primeira condição – penso eu – é a Igreja tomar consciência de que ela está em regime de diáspora, ou seja, está espalhada no meio do mundo, não mais como maioria absoluta, mas como um grupo a mais no meio do mundo. A sociedade ocidental não é mais cristã, muito menos católica. Em situação de diáspora, a Igreja não é mais uma força instituída, algo estabelecido e pronto. Mas ela tem uma força instituinte, por causa do evangelho que ela transmite. O evangelho é força para viver e já atraiu multidões antes de nós; por causa dele muitos até perderam a vida. Se a Igreja se comporta como uma instituição a mais e não como a instituição por excelência, como na cristandade, então há esperança para a fé. Essa atitude coloca a Igreja em posição de diálogo e acolhida: ela tem algo a oferecer ao mundo e tem algo a aprender dele. É uma atitude de humildade e respeito com a sociedade e a cultura atual. Neste mundo plural e multirreferencial, a Igreja não pode mais impor sua fé; só pode propor. A proposição da fé é uma urgência. Aí entra a tarefa da catequese. Mas isto é assunto dos próximos textos. Não perca!







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