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62. Procissões

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27.08.2015 | 3 minutos de leitura
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62. Procissões

Disse um ateu que o tamanho da ignorância do povo se mede pelo tamanho da procissão atrás do santo. Não sou do tipo que pensa assim, mas não deixo de reconhecer alguma verdade nessas palavras, por mais duras que sejam.


Procissão é coisa antiga nas comunidades eclesiais. O texto de Hebreus diz que devemos seguir a procissão de testemunhas da fé. Uma expressão bonita e rica de significados. O livro do Êxodo conta da procissão do povo pelo deserto rumo à Terra Prometida. Nossa gente que caminha pelas ruas em procissão sabe que esse peregrinar em conjunto faz todo sentido, porque a vida é peregrinação mesmo e porque não peregrinamos sozinhos.


No entanto, preocupa o modo como essas procissões têm sido feitas e a força que elas adquiriram na vida de alguns. Há pessoas que não têm nenhum vínculo eclesial, que nem mais professam a fé cristã como opção de vida, mas não perdem uma procissão do Senhor morto ou de Corpus Christi. Para elas, as procissões se tornaram um ritual quase mágico, uma devoção que não pode ser rompida a não ser a custo de algum castigo ou punição de Deus. Não desvalorizamos a motivação mais íntima do coração, é claro! Nem queremos ironizar coisas tão importantes para alguns, pois é melhor não “apagar a chama que ainda fumega” com um sopro de deboche. Mas é preciso repensar esses costumes, não para apagar a chama, mas para fazê-la ainda mais forte, capaz de resistir a todo sopro de crítica que advém sobre aqueles que creem.


As procissões são símbolo da caminhada do povo de fé. Indica que a fé é devir, é peregrinação rumo a um alvo nunca alcançado, é busca de uma posse que nunca será atingida em vida... À frente, quase sempre, vai a imagem de um santo, ou a hóstia consagrada. No caso do santo, dizemos que caminhamos nos passos daquele que já fez sua peregrinação e agora alcançou a meta: a bem-aventurança da comunhão com Deus. No caso da hóstia consagrada, dizemos que nossa fé é partilha, comunhão, alimento para o mundo faminto como o próprio Jesus ressuscitado é alimento para nossa vida.


As procissões, então, não deveriam ser apenas o deslocar de um ponto a outro da paróquia, mas um caminho de sentido para os fiéis. Cantar, rezar, meditar, motivar, explicar... tudo isso deveria fazer parte da procissão de tal forma que elas se tornem peregrinações do coração não apenas das pernas que se movimentam.


Para isso, de novo, o problema da formação e da preparação. Até uma procissão precisa ser pensada, preparada, organizada e não um bando de gente em fila, atrapalhando o trânsito das cidades e conversando banalidades, com velas acesas na mão. Seria melhor, menos procissões e mais caminhadas, especialmente em lugares que não atrapalhem o trânsito de quem quer ir e vir, sem participar de nossos ritos devocionais. Uma boa equipe de música pode ajudar, ainda mais se somada a uma equipe que prepare meditações e orações para serem feitas ao longo do caminho. Fica aí a dica!







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