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58. A medida do amor

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04.12.2015 | 4 minutos de leitura
Rogério Faria Pereira
Crônicas
58. A medida do amor

“Como eu vos amei,

amai-vos também uns aos outros” (Jo 13,34b)



“Amor pra mim é ser capaz de permitir

que aquele que eu amo exista como tal,

como ele mesmo.

Isso é o mais pleno amor.

Dar a liberdade dele existir

ao meu lado
do jeito que ele é.”

(Adélia Prado)



O amor é um sentimento nobre que habita o interior de cada ser humano. Diferente da paixão, o amor não traz consigo o provisório, mas o permanente. Quem nesta vida nunca se fez amante ou amado? Quem nunca experimentou o amor, passou pela vida; não viveu. A vida só é plena, quando a experiência do amor está presente.


Na história da humanidade, o amor sempre esteve presente, encarnado na vida de homens e mulheres que se deixaram tocar por ele. Romances, músicas, poesias, pinturas, foram meios utilizados para expressá-lo. Tal é a força desse sentimento que o poeta português Luís Vaz de Camões escreveu: “o Amor é fogo que arde sem se ver; é ferida que dói e não se sente;  é um contentamento descontente; é dor que desatina sem doer”.


Nas páginas da história, encontramos Jesus de Nazaré, homem cuja vida foi a encarnação do amor (1Jo 4,8). Ele amou sem medidas. Um amor que se plenificou na entrega de sua vida. Não o amor dos romances ou das poesias, que já é belo o bastante. Mas um amor-existência; um amor que transforma vidas, que plenifica e dignifica todo ser humano.


Mas o que é esse amor? Como ele age? O que ele produz em nós? Se observarmos as páginas dos Evangelhos, notaremos que o amor de Jesus é libertador. Cada um que dele se aproximava tinha sua vida transformada por seu amor. Ao entrar em contato com o Mestre de Nazaré, as pessoas tinham despertadas dentro de si seu “melhor eu”, ou seja, o que elas tinham de melhor. O amor de Jesus não sufocava, não colocava as pessoas numa forma; deixava-as ser o que realmente eram. Fazia o que disse Adélia Prado: dava às pessoas o direito de existirem na sua mais genuína identidade. Por isso, era tão libertador o amor de Jesus. E ainda hoje é assim. Seu amor é libertador.


Jesus amou os seus com o mesmo amor com que o Pai o amou: um amor gratuito, acolhedor, sem preconceitos. Entre os vários ensinamentos que Jesus deixou para seus seguidores, o mais importante, segundo o evangelista João, é o legado do amor: “Como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros” (Jo 13,34). A medida do amor de Jesus para com a humanidade é a medida do amor do Pai para com ele. “Um amor sem medidas”, como nos disse Santo Agostinho, pois foi plenificado na cruz, na entrega total de sua vida.


Diferentemente dos Evangelhos Sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas), cuja medida do amor somos nós mesmos, “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo” (Mc 12,28; Mt 22,39; Lc 10,27),em João, a medida do amor é o amor de Jesus e não daquele que ama.A radicalidade do amor é um traço joanino, pois radical, exigente e pleno é o amor de Jesus manifestado na sua morte de cruz. É com esse amor que João nos convida a amar. É este amor que nos convida a experimentar: amor capaz de dar a vida pelo amado.


Sigamos, pois, amando sem medidas. Afinal, como disse Mahatma Gandhi, “se um único homem atingir a plenitude do amor, neutralizará o ódio de milhões”. É este o chamado que Jesus nos faz: viver a experiência do amor, até as últimas consequências. Um amor que, plenificado, neutraliza todo anti-amor; transforma tudo aquilo que é provisório em permanente.





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