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57. Em busca da sabedoria

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01.12.2015 | 3 minutos de leitura
Henrique Siqueira do Carmo
Crônicas
57. Em busca da sabedoria

“Se a alguém dentre vós falta a sabedoria,

peça-a Deus” (Tg 1,5)



O saber a gente aprende com os mestres

e com os livros.

A sabedoria se aprende

é com a vida e com os humildes.


(Cora Coralina)



Quando era pequeno, meu passeio predileto era ir para a casa dos meus avós. Dentre as coisas que fazia, a melhor delas era sentar à beira do fogão à lenha e escutar as histórias contadas pelo meu avô.


É incrível que, entre as frases que ouvia do meu avô, a que mais era dita por ele era exatamente esta da Carta de Tiago: “Peça a Deus sabedoria, que ele sempre dá”. Meu avô não conhecia a Carta de Tiago, mas sua sabedoria popular era tal que suas palavras ficaram gravadas em meu coração. Sua palavra era tão forte que me lembro como se fosse hoje. Vai e volta minha memória revive aquela cena: meus avós, o fogão de lenha e eu. Por causa dessa experiência marcante, o fogão de lenha tornou-se para mim local de sabedoria; um símbolo forte como o poço de Jacó para os samaritanos. Todas as vezes que vejo um fogão à lenha, logo me vêm as palavras sábias do meu avô.


Minha avó, em sua simplicidade, sempre reforçava: “A pessoa feliz é aquela que pede a Deus a sabedoria, meu filho”. A força das palavras de meus avós ajudou-me a perceber que livro ou conhecimento nenhum é capaz de me trazer ao coração a sabedoria que aprendi da vida com aqueles dois “amáveis velhinhos”. Eles me ensinaram amor, ternura, docilidade e respeito.


O fogão à lenha tornou-se um sacramento para mim, sinal de sabedoria e amor. Adélia Prado tem um poema que fala sobre o “amor feinho”. Ela diz que o amor feinho não fica velho, não estraga, está sempre ali... Para mim, o fogão da casa dos meus avós é a tradução desse poema, pois sobre ele aprendi a olhar, a escutar meus avós com ouvido de discípulo; nele pude escutar palavras de sabedoria que são força para a vida. Aprendi que pedir sabedoria é sinal de maturidade e, hoje, ao recordar o passado, vejo que meu presente tem mais sentido... As palavras que mais importam nessa vida são aquelas que escutamos com o coração.


Esse versículo de Tiago tornou-se poesia em meu coração, pois embala os sentimentos mais profundos de ternura e cordialidade e, sobretudo, lembra-me do conselho dado por meus avós inúmeras vezes... “Peça a Deus sabedoria, meu filho, e você será sempre feliz!”. Tem razão Cora Coralina: o saber pode ser aprendido nos livros, mas a sabedoria se aprende com a vida, especialmente com a vida dos mais humildes. Não há sabedoria deste mundo que supere o aprendizado que se faz com o coração!





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