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53. Breve, como a erva do campo

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03.11.2015 | 3 minutos de leitura
Antônio Gonçalves Dias
Crônicas
53. Breve, como a erva do campo

“Com efeito, basta que surja o sol com seu calor:

logo seca a erva e sua flor cai,

e desaparece a beleza do seu viço” (Tg 1,11)


 

“É preciso amar as pessoas

como se não houvesse amanhã”.

(Legião Urbana)


 

Com o passar dos anos, a vida vai escapando de nossas mãos assim como a areia da praia se solta facilmente por entre os dedos. Ao ver nossa vida se esvair facilmente, perguntamo-nos: “Como aproveitar ao máximo essa vida passageira?”. Pois, como disse o salmista, “O homem é semelhante a um sopro; seus dias, como a sombra que passa”. Ou como cantou em versos Tom Jobim: “Breve é o dia, breve é a vida. De breves flores na despedida. Longa é a dor do pecador, querida. Breve é a dor do trovador, querida”.


A resposta a esse questionamento acerca da brevidade da vida é um tanto difícil porque a brevidade da vida, sua efemeridade, é exatamente o que mais nos leva buscar o seu verdadeiro sentido.


Érico Veríssimo escreveu: “Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente”. Verdade! Creio que a felicidade está em viver intensamente cada dia como se fosse o último; dar um abraço num amigo ou num filho como se fosse um adeus e dizer “Eu te amo”, como se o amanhã não existisse.


A vida é breve, é fato, mas podemos fazer de um minuto uma eternidade quando colocamos o melhor de nós como oferta entregue generosamente ao outro. Tomemos como exemplo a flor: ela, com sua exuberância, concede-nos sua elegância em dias contados ou até horas contadas, mas não é pela rapidez da sua existência que ela deixa de brindar a nossa vida com a sua beleza. Ela se dá por inteiro enquanto está conosco. Colore nosso dia de cor e magia, depois– assim como veio - seca e seu viço conhece o fim.


Assim também acontece conosco. Cada dia que passa é uma oportunidade a menos para vivermos a felicidade ou fazermos os outros felizes. Bem dizia minha vó: “Nunca deixe para amanhã o que se pode fazer hoje”. O momento da felicidade é agora; o amanhã pode ser tarde demais. Não é bom deixar a chance de ser feliz escapar de nossas mãos. Não é bom deixar a chance de fazer o outro feliz se dissolver como bolha de sabão! Cada dom que a vida nos oferece deve ser sorvido com paixão, com desejo, com vontade. E cada oportunidade de nos oferecer como dom ao outro deve ser vivido intensamente. Eis o sentido da vida. Para alcançar tal sapiência, rezemos com o salmista: “Ensina-nos, Senhor, a contar os nossos dias para que o nosso coração alcance a sabedoria” (Sl 90,12).





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