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46. Bênção dos objetos

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14.02.2015 | 4 minutos de leitura
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46. Bênção dos objetos

Ainda sobre a bênção, tema da dica anterior, nossa gente costuma pedir a bênção para alguns objetos: água, óleo, sal, terço, imagens, quadros, chaves de carro, de casa etc. Durante o período da modernidade, tal costume, firmado na cristandade, caiu em desuso, mas voltou com força total atualmente com a revalorização do sagrado, própria da pós-modernidade. Por toda parte, assistimos ao final da missa a bênção dos objetos, desde a bênção da tradicional água até a bênção de carteira de trabalho, de retratos e outros objetos. Alguns presbíteros, percebendo que esse é um atrativo que agrega o povo, passaram a incentivar tal rito e a dar corda aos costumes do povo, criando novas bênçãos, novos rituais, novos modelos de benzição.


Nada contra a bênção dos objetos, se entendemos o que é a bênção. Benzer a água, por exemplo, não é torná-la mais santa, aliás, coisa impossível. A água já é uma bênção sem par. Benzer um carro não é torná-lo santo ou com esse ritual colocar sobre ele o interdito dos acidentes. É reconhecer que aquele veículo deve ser usado só para fazer o bem. Benzer os alimentos não é santificar a comida, coisa já santificada certamente. É agradecer a Deus por ela, comprometendo-se a ter coração generoso para reparti-la, pois se é dom não o é só para alguns mas direito de todos.


O que preocupa nas bênçãos é a magia ou a superstição que envolve seus ritos. Muita gente atribui forças mágicas aos objetos abençoados, acreditando que eles espantam maus agouros, defendem do maligno, imunizam contra o diabo. Ora, nada nem ninguém imuniza contra o mal. Todos estamos sujeitos aos atropelos da vida, porque a vida é mesmo frágil e cheia de incidentes. Por exemplo, um carro que foi abençoado não está imunizado contra acidentes. Mas seu proprietário, que mandou benzê-lo, está comprometido à prudência e à direção cuidadosa. E assim se dá com todos os objetos. Uma casa abençoada não está livre de ladrões, mas seu morador está comprometido à vigilância cuidadosa de sua família, evitando expô-la ao mal. Então, para que benzer os objetos se não haverá uma força mágica neles? Benzemos os objetos não para que sirvam de amuletos, mas para lembrar nosso compromisso no uso deles: ser dom para o mundo.


Para terminar, falemos sobre o que fazer com objetos abençoados, depois de estarem velhos, estragados, quebrados, especialmente terços e imagens, etc. Muita gente tem medo de jogá-los fora e cometer um sacrilégio, um ato pecaminoso... Nada disso! Se um terço arrebentou e não tem conserto, seu destino é o lixo como qualquer outro objeto que não tem mais serventia. É claro que, em primeiro, lugar devemos tentar de tudo como consertar o terço ou restaurar a imagem. Ninguém deve ir jogando as coisas no lixo, até porque a natureza reclama de tanto lixo e as cidades não têm mais onde depositá-lo. Mas tal cuidado não vem do fato de o objeto ser bento. Uma comida abençoada antes da refeição, quando sobra no prato, vai para o lixo e ninguém acha isso estranho. Um carro abençoado vai para o ferro velho ou reciclagem quando não presta mais. O mesmo destino tem as imagens sacras e outros objetos religiosos, quando – de fato – não tem mais serventia. Ninguém se sinta culpado de descartar um objeto assim, amontoando-o nas sacristias, capelas ou igrejas... Nossas igrejas não são depósito de objetos religiosos sem destinação. Seria bom ensinar isso à nossa gente. Fica aí a dica!







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