313. nada é sagrado
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06.09.2023 | 1 minutos de leitura
Poesia

estribilho frio e cortante, pra dizer do tempo – que não há.
não há tempo investido. aquela sebe cercada com cuidado, espaço de amor – um éden.
fomos expulsos do paraíso.
vestidos de peles, andarilhos e sem abrigo à sombra da árvore da vida.
no descampado dos afazeres, dos contratempos, nosso éden foi se convertendo em dizeres. palavras miúdas, dessacralizadas, esvaziadas de esperanças à mesma medida que de saudades.
só há agora o descampado em que cada um se perde, à sua própria maneira.
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