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67. Jaculatórias diversas

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23.10.2015 | 3 minutos de leitura
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Dicas diversas
67. Jaculatórias diversas

Já repararam como nossa gente católica adora uma jaculatória? Expressões como “Graças e louvores sejam dados a todo momento ao santíssimo e diviníssimo sacramento” ou “Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!” estão sempre presente na saudação do povo ou nas celebrações litúrgicas. Nós poderíamos fazer um rosário de pérolas com todas essas jaculatórias. Eis algumas mais conhecidas: “Jesus manso e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao vosso”; “Por vossa dolorosa paixão, tende piedade de mim e do mundo inteiro!”; “Ó Maria concebida sem pecado original, rogai por nós que recorremos a vós!”, “Jesus, Maria e José, nossa família vossa é!” etc.


A gente não sabe muito bem como essas orações aparecem, mas quando vê já tomaram forma, já ganharam adeptos, já conquistaram espaço até na liturgia! É difícil uma missa na qual o presbítero, após a homilia, não arranque lá das profundezas um “Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!”. Raramente encontramos uma celebração da Palavra na qual o ministro, depois de expor o Santíssimo Sacramento no altar, não reze três vezes e com toda reverência “Graças e louvores sejam dados a todo momento ao santíssimo e diviníssimo sacramento!”.


Dependendo da devoção do católico, as jaculatórias podem ser bem estranhas. Evocam as dores de Cristo ou suas chagas; insistem no derramamento de sangue para perdão dos pecados; mostram uma obsessão por algumas partes do corpo, como mãos ensanguentadas, rosto desfigurado, lado perfurado etc. Além disso, evocam santos e anjos pra todo gosto.


Não é que seja proibido falar jaculatórias ou que haja algum mal nisso. Mas a abundância dessas expressões revelam uma piedade mal orientada e uma fé quase sempre muito frágil. Apegados a tradições devocionais, oriundas de correntes espirituais pouco embasadas, muitos católicos se dão por satisfeitos com essa prática. Falta-lhes uma espiritualidade consistente, capaz de lhes sustentar nas horas de adversidades. Ora, não basta dizer “Valei-me, Santíssima Virgem!” na hora da tribulação. É preciso crescer na comunhão com Jesus, no seu seguimento, no discipulado que ele nos propõe. A Santíssima Virgem não poderá valer ninguém de forma mágica. A fé cristã não é um conjunto de mágicas e superstições. Essas frases não funcionam como “Abracadabra!”. A dinâmica da fé passa por outro caminho: o caminho do conhecimento de Deus, da experiência com ele, da comunhão com sua vida e o projeto de seu Reino.


Não penso que a solução seja debochar de nossa gente, de sua fé simples. E menos ainda desprezar suas raízes e seus costumes. Mas já passou da hora de nossos pastores nos oferecerem alimento mais sólido como o conhecimento das Escrituras Sagradas e uma mística que brote do coração, que cresça desde dentro, lá no íntimo onde Deus habita. Se nossos presbíteros não sabem o que fazer nesse sentido, por favor, pelo menos não incentivem mais devoções piegas. Já seria bom demais que não houvesse incentivo a essas práticas, acrescentando-as aos ritos litúrgicos e às reuniões da comunidade eclesial. Fica aí a dica!







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