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63. O que cabe em teu coração?!

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05.01.2016 | 4 minutos de leitura
José Sotero
Crônicas
63. O que cabe em teu coração?!

“Onde está o teu tesouro,

aí estará também o teu coração (Mt 6,21)


 

“Meu amor, essa é a última oração pra salvar teu coração.
C

oração não é tão simples quanto pensa,

nele cabe o que não cabe na despensa...”

(Leo Fressato)


 

No ritmo da poesia musicada pela Banda Mais Bonita da Cidade, a gente se põe a pensar em “coisas do coração”. Como manter o pulsar equilibrado nesse órgão, alvo de tantas emoções? A música nos instiga a contemplar o coração como alma, aquilo que dá ânimo, entusiasmo, vitalidade ao nosso ser. Coração que é o ser humano todo, aquele que deseja, almeja, sente e decide de maneira consciente. “Essa é a última oração para salvar teu coração”, diz a canção. De que ou de quem o nosso coração precisa ser salvo?


Há uma sacramentalidade em torno da palavra coração. Coração é um espaço sagrado no ser humano, de onde podemos retirar ou internalizar belezas e feiuras. O coração, enquanto sacramento, nos remete a um universo de recordações, fragilidades, alegrias e escolhas que nos posicionam diante da vida. O Mestre Jesus, que ensinava às multidões com autoridade e encantamento, dizia que “felizes são os puros de coração”, ou seja, aqueles que procuram no íntimo do seu ser se ajustar aos critérios de Deus. Jesus exalta não a pureza ritual, advinda do cumprimento das leis e que permite acesso ao culto. Não! Mas uma pureza que brota “desde dentro” e que é garantia de felicidade plena. Lá no interior do coração ou no íntimo da consciência, lá onde Deus faz morada em nós, é lá que habita o puro ou o impuro.


O coração pode ser morada de muitos sentimentos, de muitos projetos, de muitos sonhos... “Coração não é tão simples quanto pensa. Nele cabe o que não cabe na despensa”. Nele podem fazer morada anjos e demônios; podem encontrar abrigo os mais nobres e os mais vis projetos... Coração não é mesmo como despensa que, uma vez abarrotada, não tem mais onde armazenar coisas. Não! O coração se dilata, se expande; tanto para conceber o bem quanto para arquitetar o mal. Sua capacidade de armazenamento é gigantesca. E isso pode ser maravilhoso, mas é também um risco. Eis porque Jesus exalta os “puros de coração”. Conservar o amor no interior de nós, impedindo que o mal ache espaço para nele se aninhar, é coisa para valentes. Só os fortes conservam a pureza. Só os fortes faxinam a despensa do seu coração, dispensando o que não presta.


Em qualquer época, por tesouro, entende-se algo de valor, riqueza ou bem material que represente uma grande estima financeira ou sentimental. Em nossa sociedade capitalista, onde tudo vale pelo preço que tem, soa estranho perguntar: “Que tipo de tesouro está buscando? Qual tesouro move, impulsiona, o teu coração?”. Nesse sentido, o Mestre de Nazaré se oferece gratuitamente a nós como dom precioso, tesouro de inigualável valor, que supera todas as aquisições que sonhamos fazer. É ele quem purifica nosso coração desordenado e nos estimula a buscar sempre mais um tesouro que a traça não rói nem o ladrão rouba.


O tesouro geralmente supõe mistério e uma série de dificuldades para sua aquisição. Não é diferente com o tesouro do coração. No labirinto da alma, os valores podem se confundir, podem ser ofuscados por falsos tesouros... Podemos nos equivocar, nos perder, seguir falsas pistas na busca do tesouro. Podemos gastar nossos melhores esforços em empreendimentos inúteis, em tesouros que não valem a pena.


Então, que não nos cansemos de nos perguntar: “Onde está o meu tesouro? Que critérios sigo no desejo de encontrá-lo? Que esforços tenho empreendido na sua busca?”. Jesus de Nazaré nos ensina: ele não está fora de nós, mas no íntimo de nós mesmos, no nosso coração. Não desistamos de encontrá-lo. Ainda há uma última oração, que pode salvar nosso coração; o amor. Ele é a prece bendita capaz de salvar qualquer coração. Continuemos ousadamente a arte da busca! O tesouro de uma vida plena permanece à nossa espera. Sigamos o ritmo do coração, embalados pelo amor fraterno...





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