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40. Intenções de Missa III

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30.12.2014 | 3 minutos de leitura
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40. Intenções de Missa III

De novo as intenções de missa. Hoje falemos sobre o hábito que se criou entre os católicos de se rezar pelo anjo da guarda de alguém ou de alguma família.


Bom, o tema dos anjos é polêmico. Atualmente, com a onda de esoterismo que tem crescido por aí, os anjos ganharam fama... Mas sobre os anjos, a teologia é bem modesta. Sabemos que, na bíblia, quase sempre eles são figura de linguagem para falar do próprio Deus que age (Rafael = Deus cura; Miguel = Quem como Deus? etc). Então, os autores bíblicos, porque são judeus e na cultura judaica não se pode ver Deus ou a pessoa morrerá, dizem que os personagens bíblicos viram anjos. Mas, quase sempre, querem dizer que a pessoa fez uma experiência de Deus, entrou em intimidade com ele.


Bom e fora da bíblia? Aí é mais complicado. Fora da bíblia, na teologia popular, os anjos foram personificados, como seres espirituais que agem protegendo as pessoas e livrando-as do mal. Daí a devoção aos anjos da guarda, a são Miguel arcanjo etc. Mas a teologia atual pouco ou quase nada fala de anjos, ainda que eles estejam no Catecismo da Igreja Católica e em outros documentos. Com isso, não estamos dizendo que anjos não existam. Como saber, não é mesmo? Uma coisa é certa: se existem, não são seres alados e de cabelos encaracolados como os anjos barrocos de Ouro Preto.


E, ainda que eles existam, não faz sentido rezar por eles. Imaginemos que haja anjos que cuidam de nós (na verdade, Deus cuida de nós sempre; não impedindo o mal, mas nos amando e nos ofertando seu Espírito Santo). Por que rezar por eles? Se são seres espirituais que estão junto de Deus, não deveriam ser eles a rezar por nós? Por que um anjo precisaria de oração? Na verdade, anjos não precisam de oração. Nós é que não sabemos viver sem rezar, se de fato temos fé. Afinal, nossa vida está referida a Deus e sabemos que é ele que dá sentido a ela. Por isto rezamos: para lembrar sempre que não somos a referência máxima de nós mesmo, há alguém maior sob cujos cuidados estamos submetidos.


Então, o que fazer com as tais intenções pelo anjo da guarda de alguém? De novo, nada melhor que orientar o povo. O bom pastor deve guiar suas ovelhas para as águas refrescantes do conhecimento de Deus. Nada de tapear o povo! Nada de compactuar com a desculpa que o povo não vai entender. O povo não é burro. Entende muito mais do que podemos imaginar. Vai depender do modo gentil, educado e claro como vamos explicar. E vai depender da consistência da explicação que damos.


E, se mesmo assim, alguém insistir? Caridade pastoral sempre; explicação teológica continuada. Uma hora, o povo aprende. Fica aí a dica!







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