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39. Palavra de Deus I

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16.09.2016 | 3 minutos de leitura
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39. Palavra de Deus I

Tudo começa com a Palavra de Deus. Ela é o motor do encontro. Em torno dela giram as orações, as reflexões, as discussões e os aprofundamentos, as músicas e as atividades pedagógicas. O jeito, então, é começar a preparação pela Palavra de Deus. Não é fácil escolher o texto do encontro. Não serve qualquer relato para qualquer idade. Nem serve qualquer tradução da bíblia para o encontro catequético. Não parece também conveniente orientar os encontros catequéticos pelo evangelho do domingo, apesar de estarmos certos que toda liturgia dominical bem celebrada é catequese genuína. Para quem vai à missa no domingo, o texto ficaria repetitivo na catequese; para quem não vai, os textos ficariam soltos, carecendo de nexo, de uma amarração teológica clara que facilite o itinerário catequético. Então, como escolher os textos?


Uma boa dica é escolher uma coleção de catequese que seja confiável e seguir seu itinerário, sem interrupções para encaixes de temas do ano litúrgico, tais como quaresma, páscoa, mês disso e mês daquilo. Se a coleção tem pedagogia catequética confiável e boa teologia, saberá encaixar na hora certa cada um desses temas. Se não adotamos uma coleção, tudo se dificulta apesar de não ser impossível. Escolher os textos vai ser tarefa semanal que demanda cuidados. Um conselho a seguir é traçar um itinerário: saber onde estamos e onde queremos chegar. Nesse peregrinar de um ponto a outro, que experiência de fé queremos transmitir?  Respondida essa questão, outra a segue: Que temas favorecem essa experiência? Vai ser necessário um conhecimento geral e aprofundado da bíblia para escolher os textos. Escolhidos, sequenciados, resta aprofundá-los.


Para o aprofundamento faz falta um bom curso de bíblia, mesmo que seja um curso popular de boa consistência. Uma visão aberta e lúcida das Escrituras Cristãs evita muito fundamentalismo e, consequentemente, moralismos inúteis e nocivos à comunidade eclesial. A interpretação dos textos vai depender de uma boa chave de leitura que passa – quase sempre – pela noção que se tem de inspiração e revelação. Se sabemos que inspiração é uma moção interior que o povo de Deus teve para perceber sua presença em cada coisa simples da vida e, depois, essa inspiração guiou o registro dessas experiências transformando-as em Escritos Sagrados, então o leitor saberá que os relatos não são necessariamente factuais mas relatos construídos a partir de uma teologia, de uma compreensão da presença de Deus na vida humana. São textos com gêneros literários próprios e recursos diversos de linguagem. Revelam escolhas deliberadas por parte do autor como o vocabulário e seu modo de organizar o texto. Tudo como qualquer outra literatura. Deus toma emprestadas palavras humanas e se diz nos registros humanos. Se, no entanto, a noção de inspiração é a de um ditado divino, então a leitura será fundamentalista, sem nem sequer se dar ao trabalho de perceber as incoerências do texto, as intencionalidades do autor, a cultura do povo etc. Tudo vai ser Deus quem ditou, logo deve ser obedecido cegamente, pois assim se deu, assim se dá, assim se dará...


Uma leitura dessas depõe contra a fé cristã em vez de transmiti-la. Todo cuidado é pouco para não cairmos nessa falseta. Está aí uma das vantagens de uma boa preparação do encontro, que poderá evitar esses desmandos.







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