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37. Catequese e visitação

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25.10.2014 | 5 minutos de leitura
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37. Catequese e visitação

Está chegando o fim do ano. Mais um piscar de olhos e já estaremos no Natal e veremos em seguida os fogos do novo ano pipocando nos ares, anunciando o recomeço. Todo ano a mesma coisa! A vida é assim mesmo: cíclica, marcada por eventos e datas que fazem o coração sonhar, sofrer, recomeçar... Mas esse recomeço não é importante só na vida civil. Ainda mais na vida cristã, é sempre tempo de recomeçar.


Todo recomeço se dá depois de boa avaliação e firme propósito de seguir novos caminhos ou de firmar os já começados a trilhar. Na vida eclesial também isso acontece. É preciso não só lançar as redes para puxar muitos peixes, como faziam Simão e André quando foram chamados pelo Senhor, mas também consertar as redes, como Tiago e João, os filhos de Zebedeu (cf. Mc 1,16-20). Seria pouca inteligência de nossa parte se continuássemos pescando com as mesmas redes furadas, deixando escapar peixes menores e mais desconfiados. Não convém que nossa rede pegue apenas peixes grandes e lentos, que não conseguem escapar das tramas que os envolvem. Todo cuidado com as redes resulta em cuidado com a pescaria.


Por isso, ao ver se pondo no céu o ocaso de 2014, chegou a hora de avaliar as pastorais e repensar as ações evangelizadoras para esperarmos confiantes o amanhecer de 2015. Um costume que as paróquias têm é refazer, no final do ano ou início do novo ano, as inscrições para a catequese. Durante séculos, nossa catequese esteve atrelada ao ensino escolar. Muitas vezes, na própria escola era feita a inscrição para a catequese, dependendo da série (ou ano) na qual o aluno estava matriculado. Com o passar do tempo, chegada a secularização e em meio à diversidade de crenças hoje professadas, a Igreja entendeu que esse caminho não é mais viável. E transferiu as inscrições para os escritórios paroquiais, com aquele famoso aviso depois da missa: “quem quiser participar da catequese, faça sua inscrição no escritório paroquial, blá blá blá!”. Essa prática tem perdurado. Mas nós a temos questionado e incentivado a inscrição de casa em casa, muito mais eficaz e abrangente.


Vejamos! Quando um aviso desses é dado depois da missa, o público é bem específico: pessoas que creem e frequentam as celebrações dominicais semanalmente. E aquelas que não vão à missa? E aquelas que não creem ou que não se engajam mais na vida eclesial? E aquelas que nem sabem que a catequese existe? E aquelas que têm medo de pertencer, devido às marcas do passado que as acabaram excluindo do convívio comunitário? Ora, a catequese – entendida hoje não mais como preparação para o sacramento, mas como evangelização – não deveria se dar por satisfeita de atingir apenas aqueles que já pertencem à vida eclesial. A catequese é para todos, principalmente para aquela ovelha desgarrada do rebanho, que se perdeu lá nos pastos da vida. O que faremos? Esperaremos sentados a ovelha ferida voltar sozinha para o redil? Ou sairemos de nosso confortável redil eclesial e iremos atrás da ovelha sofrida?
Pensando nisso, sugerimos um ato corajoso da paróquia e da pastoral catequética. Que tal as lideranças se organizarem e formarem grupos de visitação, percorrendo casa por casa, apartamento por apartamento, convidando para a catequese paroquial? A paróquia poderia fazer uma ficha de inscrição com dados essenciais que seriam compilados em arquivo virtual, com nome do catequizando, data do nascimento, responsáveis, endereço, e-mail, telefone etc. Marca-se uma data base de nascimento das crianças a serem inscritas, por exemplo entre 2000 e 2009, estabelecendo que a paróquia vai investir forças em crianças de 5 a 14 anos. Tudo isso depois formaria um arquivo precioso que seria uma radiografia da paróquia. As turmas seriam formadas a partir desses dados, favorecendo o agrupamento das crianças por proximidade e por idade, sem importar se já fizeram primeira comunhão ou crisma. Um ou dois catequistas ficariam responsáveis de acompanhar a turma por um ano. No próximo ano, as turmas seriam refeitas levando em conta a perseverança dos que participaram e revisitando as casas para convidar quem ainda não se sentiu motivado.


A proposta parece ousada, mas funciona muito bem. Já trabalhamos em diversas paróquias que se arriscaram a essa visitação e os resultados foram maravilhosos. Já vimos casos em que a paróquia tinha 300 catequizandos e passou a evangelizar 5000, depois da visita. Certamente, vai dar trabalho, vai exigir acompanhamento, esforço, planejamento, investimento. Mas não é preciso fazer tudo de uma vez. Se parecer difícil evangelizar uma faixa etária tão grande (5 a 14 anos, por exemplo), pode-se limitar mais a data e pegar menos crianças (de 8 a 12, por exemplo). Mas seria maravilhoso se ouvíssemos o apelo de nosso papa Francisco na sua exortação apostólica Evangelii Gaudium, que manda o pastor ir atrás da ovelha, mesmo que para isso tenha que voltar coberto de lama. É o risco da evangelização. Fica aí a dica.







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